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1340 Words
Christopher  Eu me preocupava com o bem estar dela mais até do que o meu e queria que ela sentisse o quão especial era pra mim. E como palavras não faziam esse sentimento ser demonstrado da maneira perfeita, eu precisava agir.  Chegamos ao nosso destino, no litoral de Los Angeles, de frente à uma das casas que ficava à beira-mar.  Dulce saiu do carro depois de mim e teve seus cabelos jogados pra trás devido à forte ventania que cercava a área.  — Por que estamos aqui? — perguntou.  — Quero que passemos a noite em um lugar diferente. — peguei a mão dela e a guiei até a casa de praia de dois andares à nossa frente.  — De quem é essa casa?  — De um amigo da faculdade. Nós fazíamos algumas festas universitárias aqui e até hoje eu tenho passe livre pra vir quando quero. — toquei a campainha e Terry, o caseiro, atendeu.  — Senhor Christopher! Quanto tempo! — nos cumprimentamos com um abraço.  — Que bom te ver, Terry. Essa é a minha namorada, Dulce. E Dulce, esse é o Terry. — os apresentei e eles deram um aperto de mão.  — É um prazer, senhorita. — ele disse. — É a namorada mais bonita que você já teve. — deu um soquinho no meu ombro.  — Obrigada. — Dulce disse sorrindo.  — O Peter me avisou que você viria essa noite, então não precisarei ficar. Até amanhã, jovens.  — ele me entregou a chave da casa e depois de se despedir, se afastou.  Nós entramos e eu tranquei a porta. Dulce passou pelo corredor e foi até a sala, analisando cada detalhe.  — Tudo aqui é tão... branco. — riu de leve. — Eu gostei.  — Também gosto. Faz um bom tempo que não venho aqui.  — E você trazia muitas namoradas pra cá? — arqueou a sobrancelha.  — Só quando eu fingia que era rico. — dei de ombros.  — Nossa, Christopher! — deu risada. — É bom conhecer mais uma parte da sua história.  — Não tem muito o que conhecer, na verdade.  — Sempre tem. — ela sentou no sofá. — Quero ouvir. — deu dois tapinhas no lugar ao seu lado, para que eu me sentasse também.  — Ok. — sentei. — O que você quer saber?  — Já se apaixonou antes?  — Uma vez, eu acho. Mas eu era adolescente, m*l me lembro e não foi algo tão forte assim. E você?  — Eu já tive um ou dois namorados, mas nunca senti que estava apaixonada. É um sentimento totalmente novo pra mim.  — E por que acha que se apaixonou por mim? — cheguei mais perto e acariciei seu rosto.  — Você me trata de uma maneira completamente diferente. Não como se eu fosse uma madame, uma princesa ou uma mulher perfeita. Me trata como sendo uma mulher normal, cheia de falhas, disposta a aprender com os erros e com uma sensibilidade bem peculiar, apesar de não tão exposta. — sorriu de lado. — Te amo pela forma como me faz sentir e te amo por permitir que eu sinta isso por você.  — Você é incrível, sabia? O meu amor por você só é forte porque foi construído com muita cautela, aos poucos e de forma intensa.  Nenhuma mulher me despertou tanto ódio e tanto amor ao mesmo tempo. — rimos.  — Agora só amor. — falou se aproximando.  Eu a agarrei pela cintura e a puxei para o meu colo. Nós começamos a nos beijar sem cerimônia, já partindo para o lado feroz que nos consumia.  Sem parar de beija-la, fiquei de pé com ela no colo e fui andando com cuidado até as escadas.  Quando me dei por mim, já estava dentro do quarto e a joguei na cama, caindo sobre ela, tornando a nos inundar daquele desejo ardente.  Intenso, apaixonante e capaz de consumir toda a minha mente. Era assim que eu descreveria as minhas noites de amor com ela.  Tudo o que se ouvia naquele quarto era o barulho dos nossos corpos se chocando e os suspiros misturados com as juras de amor que eram proclamadas por ambos. É como se o mundo entrasse em sintonia com os nossos sentimentos e compartilhasse de todas as sensações que corriam por nossos corpos agora.  Ela sabia exatamente do que eu gostava, quais minhas partes mais sensíveis e o que dizer ao pé do meu ouvido pra que eu enlouquecesse de vez.  Comigo não era diferente. Conhecia tão bem o corpo dela que era capaz de desenhar um mapa destacando cada ponto mais delicado, o tipo de ação que a fazia arrepiar e qual a medida certa para levá-la ao ápice sem demora.  Ofegantes e com um sorriso sincero no rosto, nós ficamos abraçados naquela cama, olhando para a face um do outro.  — Eu nunca vou me cansar de você. — ela disse com a voz um pouco baixa, transparecendo o seu cansaço.  — Assim espero. — chegando mais perto, depositei um beijo em sua testa e a abracei mais forte. — Como se sente agora? Menos preocupada?  — Tecnicamente, sim. — suspirou. — Obrigada por se preocupar comigo.  — O seu bem estar é o meu bem estar. Sempre vou me preocupar com você.  — E eu com você.  Adormecemos ali mesmo e na manhã seguinte, bem cedo, voltamos para casa.  {...}  A semana passou voando, com todos os ingredientes possíveis pra me deixar com os nervos à flor da pele.  Mary se tornava cada vez mais insistente com a sua missão de me fazer enlouquecer e por mais que eu tentasse ser forte, tinha que admitir para mim mesmo que estava cada vez mais cansado. Porém, mantinha a minha cabeça erguida por Dulce.  Aperfeiçoar a minha palestra para incluir a empresa dos Morgan's foi outro ingrediente responsável por me estressar. Afinal, não me era agradável a ideia de representá-los, mas tinha que fazer isso pela empresa. Os fins justificam os meios.  E finalmente, o tão aguardado evento havia chegado. Não me sentia nervoso nem nada do tipo, só ansioso pra que aquilo passasse rápido e eu não tivesse mais motivos para me aproximar de Allan e sua irmã que insistia em dar em cima de mim a qualquer custo.  Eu e Dulce chegamos ao evento e fomos recebidos por dezenas de fotógrafos e jornalistas que foram ignorados por Dulce, que me arrastou para dentro do evento enquanto segurava a minha mão.  — Odeio esses urubus! — afirmou assim que conseguimos entrar.  — Parece sufocante. — eu disse.  — Nem me fale! Vem, vamos fingir que nos importamos com a alta sociedade. — falou num tom debochado e eu ri.  — Essa é uma coisa que você não mudou, não é mesmo?  — É errado zombar desses ricos falsos?  — De jeito nenhum. Eu amava zombar de você antes. — dei de ombros e recebi um leve tapa no braço, que me fez rir mais.  — Ora ora, posso saber qual a piada? Gostaria de rir também. — Catarina como sempre chegando nos momentos mais inoportunos.  — Olha, a piada da noite com toda certeza vai ser essa sua roupa. — Dulce a alfinetou.  — Já a sua, causará choro de tão deprimente que é. — retrucou.  — Esqueceram de te avisar que não seria um baile de máscara? Ah, é a sua maquiagem!  Achei que estivesse fantasiada de bruxa. — eu caí na gargalhada e pela expressão de Catarina, ela não havia gostado muito da brincadeira. Antes que ela respondesse, Allan se aproximou.  — Boa noite. — cumprimentou Dulce com um beijo no rosto que fez o meu sangue esquentar.  — Como vai, Christopher? — sorriu de lado.  — Melhor impossível. — envolvi a cintura de Dulce com um dos meus braços e a trouxe para perto.  Nós quatro nos encarávamos como se a qualquer momento uma explosão fosse acontecer. E o cheiro de ódio interno impregnava o ambiente.  De fato, aquela seria uma longa noite e eu não via a hora de acabar.
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