01
Christopher
Mudei para a cidade de Los Angeles a pouco mais de 4 anos. Aqui eu fiz publicidade em uma boa universidade e consegui um emprego na mesma empresa em que meus amigos trabalhavam.
Saviñon's Publicity era a melhor empresa de publicidade do estado, arriscaria dizer que até mesmo do país. Era incrível que uma mulher tão jovem pudesse administrar um negócio tão poderoso.
Tudo o que eu sabia de Dulce era o que via nas revistas, na internet e o que Anahi e Maitê me contavam. Uma mulher extremamente séria e difícil de encarar.
Consegui um cargo importante em sua empresa e teria que encarar Dulce Maria às vezes. Isso me dava um pouco de nervosismo, já que Maitê sempre falou muito m*l do temperamento de Dulce. Eu seria o mais profissional possível e tentaria agradar essa mulher ao máximo, por mais difícil que isso fosse.
No meu primeiro dia, eu acordei muito cedo e deixei tudo pronto para ir ao trabalho. Quando Christian, Anahi e Maitê acordaram, eu já havia deixado todo o café da manhã pronto. Estava feliz por ter os meus amigos como colegas de trabalho. Dessa forma, o ambiente não seria tão desafiador para mim.
— Christopher, pra quem irá perder a cabeça, você parece bem contente. — falou Chris.
— Christian, não diga isso! — Annie o repreendeu. — A Dulce é uma boa pessoa, é só saber lidar.
— Todos sabemos que ela só é boa com você. — falou May. — Afinal, é a pessoa mais próxima a ela dentro da empresa.
— Eu sou a secretária dela, a conheço como ninguém. E posso garantir que ela é um amor de pessoa. — May e Chris gargalharam.
— Um amor de demônio. — falou Chris.
— Vocês estão tentando me deixar nervoso de propósito? — falei.
— Desculpe, só queremos que você se prepare.
— falou May.
— Agora que vocês já conseguiram assustar o Christopher, vamos ao trabalho.
Depois do café da manhã, fomos ao ponto de ônibus mais próximo direto ao nosso trabalho. Christian brincou dizendo que agora que eu tenho um cargo de importância, compraria um carro para levá-los a empresa. Bem, eu não via a hora disso acontecer.
Eu seria o responsável pela magia contida nas propagandas. Eu deveria criar a vontade que o público tinha de comprar. Eu criava as melhores ideias. Ser produtor de marketing era algo muito importante pra mim.
Assim que chegamos a empresa, eu fui levado até a minha própria sala. Pediram para que eu aguardasse a chegada da Dulce para que ela pudesse me conhecer. Depois de quase uma hora de ansiedade, Anahi bateu na porta.
— Desculpe a demora, ela teve uma reunião com um sócio do Japão por Skype tarde da noite. Os horários bagunçaram um pouco. — falou.
— Tudo bem. Ela já quer falar comigo?
— Sim. Você foi escolhido e avaliado por um diretor de confiança da Dulce. Ela só quer garantir que pode continuar confiando nele. — eu assenti. — Por favor, siga-me.
A segui até a sala principal. Todos os funcionários me olhavam como se aquela fosse a última coisa que eu fosse fazer em vida. Eles realmente temiam aquela mulher.
Annie abriu a porta e pediu que eu esperasse. Dulce estava em sua cadeira, de costas conversando com alguém seriamente ao telefone. Eu não podia vê-la, por conta do encosto exageradamente alto da cadeira.
Estava nervoso, pois nunca havia visto ela pessoalmente e, sinceramente, eu a admirava.
Ela levantou e meu queixo quase caiu no chão. Fiquei impressionado com cada curva do seu corpo e ela não economizava nas roupas que nitidamente eram das melhores grifes. Seus cabelos castanho-claros iam até sua cintura em ondas. Sua pele era tão branca que parecia nunca ter sido tocada por raios solares antes. A olhei de baixo a cima, até chegar ao seu rosto.
Ela mantinha-se séria, com um ar de soberania enquanto me encarava com aqueles olhos vibrantes. Seu rosto parecia ser delicado, mas a maquiagem o tornava quase fatal. Arrisco dizer que ela era a mulher mais linda que eu já vi na vida.
— Senhorita, esse é o novo produtor, Christopher Uckermann. — falou Anahi.
— Já pode sair, Annie. — estranhei ao ouvir ela chamar a Anahi por seu apelido íntimo.
— Sim, senhorita. — ela saiu nos deixando a sós.
— Espero que as boas recomendações que recebi de você sejam realmente verídicas. — falou ainda muito séria.
— Sempre fiz o possível pra ser o melhor na minha área. — falei firme. Ela pareceu satisfeita com a minha resposta.
— Pelo menos não é falso modesto. A maioria dos funcionários aqui falam que não querem ser melhor que ninguém. Nós sabemos que isso é conversa de fracassado. Continue assim, acreditando que você é o melhor no que faz. Alto confiança é tudo quando se trata de marketing.
— Certamente. Mas, confesso que venho aprendendo muito com a senhorita. Como você mesma diz, é a melhor.
— Sim, eu sou. — sorriu de lado. — Eu quero que você me prove que é o melhor. — falou pegando um envelope lacrado. — Aqui está o esquema de um trabalho para a Dior. Eles querem o melhor comercial que já foi exibido em uma semana. E eu quero que você faça. — eu gelei.
— Como? — estava sem acreditar que aquela proposta era real.
— Por favor, não banque o lerdo. — falou num tom grosseiro. — Dior é uma empresa de perfumaria muito famosa no mundo inteiro. Não posso decepcionar. Estou entregando esse trabalho em suas mãos e eu espero que você não me desaponte, espero que seja o melhor. Caso contrário... — deu de ombros.
— O que vai acontecer se eu não terminar em uma semana?
— Pode dizer adeus à publicidade.
— Mas, eu sou novato nisso, a senhorita sabe. Não pode me dar tanta responsabilidade assim! Dior é uma empresa muito importante.
— Alto confiança, Christopher. — disse apenas.
— Isso é loucura... — falei aflito.
— Saia dessa sala e só volte aqui quando tiver o melhor comercial que eu já vi na vida. — falou firme. Eu ia dizer algo mas ela levou o dedo aos lábios, fazendo sinal para que eu ficasse em silêncio. — Não diga mais nenhuma palavra. — falou pausadamente. — Agora, pode ir.
Eu dei as costas e saí andando. Cheguei à minha sala e comecei a andar de um lado para o outro sem saber o que fazer, quais ideias ter e que equipe eu montaria.
Ouvi duas batidas em minha porta e gritei um "entre". May entrou com uma expressão esperançosa.
— Como foi? — perguntou.
— Essa mulher é uma megera! Com certeza ela não foi com a minha cara! — falei.
— O que aconteceu? — perguntou curiosa.
— Ela quer que eu faça o comercial da perfumaria mais ilustre do país! Em uma semana! Se eu não conseguir, vou ser demitido.
— ela deu risada. — Por que está rindo?
— Olha, ela sempre faz isso. Quando eu entrei aqui, tive que fazer 50 designs diferentes de um mesmo comercial em 8 horas. Christian, passou um dia inteiro criando 5 roteiros de 5 comerciais diferentes. Anahi, bem... Anahi só precisou conversar com ela por uma hora. Ela adora a Annie. — deu de ombros. — Enfim, cada uma das pessoas que trabalha aqui precisou passar por um desafio contra o tempo.
— Mas, a história da demissão é séria?
— Ninguém que trabalha aqui hoje falhou em seu desafio. — forçou um sorriso. — Mas eu também não me lembro de alguém que tenha perdido o emprego. Relaxa, você é incrível. — sorriu.
— Valeu, May.
— E o que achou dela? De uma forma geral?
— No primeiro momento, eu fiquei impressionado. Ela é a mulher mais linda que eu já vi.
— Ah... — desviou o olhar.
— O que foi?
— Nada. Realmente, a Dulce é muito bonita. É normal que você tenha se interessado...
— Eu não fiquei interessado, só achei ela bonita. — dei de ombros.
— Legal! — falou animada. — Digo... isso é bom, afinal, ela é uma megera. — riu.
— Pois é. — sorri de lado. — Você e o Christian podem fazer parte da minha equipe de criação?
— Claro que sim.
— Obrigado.
— Nós vamos arrasar!
— Sua positividade é maravilhosa.–ela corou.
Meu primeiro dia m*l havia começado e eu já me sentia desafiado e com uma corda no meu pescoço. Se a senhorita Dulce realmente demitisse pessoas por causa desses desafios pesados, ela não só seria uma megera, como também uma mulher desumana.