08

1296 Words
Christopher  Meu otimismo para o projeto com toda certeza era zero. Achei que Dulce não iria gostar e que iria colocar defeitos em tudo só pra me ver em desespero novamente. Mas ela não fez isso.  Parece que me enganei ao pensar que a única motivação da vida dela era dificultar outras vidas. No fim, o profissionalismo era uma característica bem mais aparente na senhorita Saviñon. Na volta para a minha sala, acabei ouvindo Henri Cortez apresentando um projeto para um grupo de diretores em outra sala de reuniões.  — E então, o que acharam? — ele parecia confiante.  — Senhor Cortez, o que está havendo? Ultimamente não tem tido muita criatividade.  — ouvi um dos diretores dizer.  — Dediquei muita coisa à esse projeto, vocês precisam pelo menos pensar antes de dar uma resposta definitiva.  — Sentimos muito. Já pode ir.  Ele suspirou pesadamente e assim que saiu da sala, deu de cara comigo.  — Dia difícil, Cortez? — falei sarcástico.  — Não deve estar tão difícil quanto o seu. Aposto que a Dulce odiou o seu projeto.  — Você ficaria muito feliz se isso tivesse acontecido, não é? — dei risada. — Ainda vai me ver nessa empresa por muito tempo. — ele me encarou sério e depois de dar dois tapinhas em seu ombro, eu segui meu caminho.  Eu não estava aqui para rivalizar o meu trabalho, mas já que encontrei uma pedra em meu caminho, não iria ficar por baixo.  Organizei todo o material do meu projeto em em uma caderneta digitalizada e fui diretamente entregar para a Annie.  — Toc toc. — falei colocando a cabeça pra dentro da sala.  — E aí? Dulce me contou que o seu projeto foi aprovado, parabéns! — ela veio até mim e me abraçou.  — Obrigado. E aqui está todo o projeto organizado. — entreguei-lhe a caderneta.  — E então, qual vai ser a primeira coisa que vai fazer?  — Pensando no hoje, eu quero me desestressar. A semana foi intensa e seria bom se nós quatro saíssemos pra nos divertir, o que acha?  — Acho ótimo.  Voltei para os meus afazeres e após o fim do expediente, passei numa concessionária acompanhado de Christian. Agora que eu iria trabalhar pra valer, podia me dar o luxo de ter um carro próprio. Fiz uma ótima escolha, afinal.  Naquela noite, resolvemos ir até uma balada, beber e dançar um pouco.  Depois de esperar quase duas horas pra que Anahi e Maitê ficassem prontas, nós finalmente pudemos ir ao nosso destino.  O lugar era popular e bastante frequentado por diversos tipos de pessoas, desde os da mais alta classe, até nós, da classe média. Era o lugar que unia o chefe ao empregado.  Anahi e Christian eram bem mais energéticos e assim que pegamos nossas bebidas, os dois correram juntos para a pista de dança me deixando à sós com a Maitê.  Notei que ela estava um pouco distante, silenciosa demais e até mesmo nervosa.  — Você tá bem? — perguntei.  — É que faz um tempo que não saio pra lugares assim, não sei bem como me comportar, ou se estou bem vestida.  — Deixa dessa, você tá linda. — falei com sinceridade.  — Você acha? — arqueou as sobrancelhas parecendo surpresa por eu ter dito aquilo.  — Acho. É uma das mulheres mais bonitas aqui. — ela sorriu e corou, desviando o olhar.  — Obrigada.  — Maaaay, vamos ao banheiro comigo! — Annie saiu a arrastando, antes que ela pudesse protestar.  Corri meus olhos pela pista de dança e avistei Christian, grudado no pescoço de uma garota.  Ele fez um gesto positivo com o polegar e eu estendi o meu copo de uísque em sinal de aprovação.  — Por favor barman, um cosmopolitan! — uma garota morena pediu ao meu lado. Enquanto aguardava a bebida, ela me olhou de canto dos pés à cabeça e quando chegou aos meus olhos, sorriu de lado. Eu retribuí o sorriso com educação.  Depois que sua bebida ficou pronta, ela se virou de frente à mim e antes de dizer qualquer coisa, tomou um grande gole de seu drink.  — Eu particularmente prefiro as bebidas complicadas. Aquelas que você precisa mandar alguém fazer. — falou como se já me conhecesse. A analisei por alguns segundos e refleti sobre o que deveria responder.  — Talvez eu seja mais prático. — dei de ombros, bebi o que restava do meu uísque e coloquei o copo vazio sobre o balcão.  — Sua namorada parece o tipo de garota que prefere as bebidas mais doces...  — De quem está falando? Eu não tenho namorada. — franzi a testa.  — Ah, não? Parecia muito próxima daquela garota que estava conversando com você.  — Ela é só uma amiga.  — Interessante... — ela disse correndo o dedo indicador pela borda do copo.  — Estava me observando? — perguntei com um meio sorriso.  — Digamos que você tenha chamado a minha atenção. — sorriu.  — Ok. Me chamo Christopher. — estendi minha mão.  — Catarina. — ela segurou minha mão de forma delicada, sem tirar seus olhos dos meus.  Sentamos em uma mesa afastada e pedimos mais algumas bebidas enquanto jogávamos conversa fora.  — Ok, agora que já descobri todas as suas preferências alcólicas, eu quero saber mais de você. — falou me olhando com atenção.  — Eu sou produtor publicitário, moro com três amigos em um apartamento, vim pra Los Angeles a pelo menos cinco anos atrás e antes disso, eu morava numa cidadezinha no Maine com a minha avó. Depois que ela faleceu, eu me dediquei totalmente à minha carreira.  — Ótimo. E você não tem mais ninguém da família?  — Não, era só eu e a minha avó.  — Ah, eu sinto muito. — segurou minha mão.  — Não se preocupe, eu estou perfeitamente bem. Minha avó morreu de velhisse em uma cama quente e confortável e me ensinou a ser a melhor pessoa que consigo ser. Além disso, os meus amigos são a família que eu escolhi.  — Além de lindo, tem um coração de ouro. Admiro homens assim. — sorrimos.  — E agora você já pode me falar sobre você.  — Tenho uma coisa em comum com você. Também sou publicitária.  — Sério? — cheguei mais perto mostrando estar interessado.  — Sim. É tipo uma coisa de família. A única coisa chata é que eu tenho que trabalhar com o meu irmão. Allan é a pior pessoa quando se trata de trabalho em equipe. — suspirou. — Sempre vivi na Califórnia e nunca pensei em ir à outro lugar. Gosto da vida que tenho.  — E que tal se compartilhássemos nossos conhecimentos publicitários? — acariciei seu rosto com as pontas dos dedos.  — Seria muito interessante.  Ela chegou ainda mais perto e deixou que nossos lábios se unissem. Agarrei sua cintura colando seu corpo no meu enquanto percorria minha língua por toda a sua boca.  Catarina parecia ainda mais sedenta do que eu e me beijava com toda a vontade que eu já vi uma mulher ter.  — Vamos pra minha casa? — sussurrou no meu ouvido.  — Eu adoraria, mas sou a carona dos meus amigos.  — Vamos no meu carro. — parando pra pensar, que m*l teria nisso? Ela era uma mulher linda e interessante.  — Eu já volto.  Levantei procurando por Christian e o achei aos beijos num canto da balada. Cutuquei seu ombro algumas vezes e ele parou o que estava fazendo.  — Fala, parceiro!  — Christian, toma as chaves do meu carro. Talvez eu não volte pra casa hoje.  — Ah, safado! Se deu bem, não foi?  — Ela é muito gata, você tem que ver! — falei animado.  — Vai lá, se diverte.  Voltei para onde Catarina estava e nós seguimos até o seu carro.
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