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Dulce Hoje era o dia. Já estava tudo decidido. Eu iria entrar naquela clínica e sair de lá sem nada dentro do meu útero.  Parei meu carro no estacionamento e apertei forte o volante, tentando controlar a minha respiração que insistia em se acelerar a cada pensamento meu.  Tomei coragem, saí do carro e caminhei até a entrada da clínica. Lá, vários cristãos seguravam placas e gritavam palavras de protesto contra as mulheres que entravam no local. Aquilo só iria piorar ainda mais o meu dia.  Coloquei meus óculos escuros e de cabeça baixa, tentei passar por entre eles sem ser notada.  — Assassina! — alguém gritou ao meu lado, mas eu ignorei.  — Prefere passar a eternidade no inferno do que experimentar a dádiva de ser mãe? — outro disse.  E ouvindo frases retrógradas e cheias de ódio, s

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