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Todo Meu Amor

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Blurb

Érico é um jovem admirador da banda DinaMight, uma das poucas bandas que pode se considerar boa naquela cidadedinha do interior.

Mas o jovem ruivo tinha mais um motivo para gostar tanto do grupo.

E era chamado de Zero, o baixista que bagunça com todo o desejo e sanidade do rapaz.

Será que Érico vai ter coragem de chegar junto e começar a sua história?

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ZERO
"E eu que não sabia nem esperava que havia no canto da estrada as flores que eu quis colher"... Érico batia a cabeça tentando escrever uma nova canção, mas estava distraído demais, já que um evento rolaria no sábado e ele estava animado demais para compor. A banda DinaMight iria fazer um show no sábado e era claro que Ériko e sua turma não iriam perder por nada neste mundo. Era raro uma banda de rock ser boa naquela região, ainda mais uma de Heavy Metal. Tratava-se de uma banda popular tanto pelos homens, por conta do bom som, quanto por jovens moçoilas por causa da boa aparência de seus integrantes. A primeira vista aparentam uma bandinha de meninos sem causa que tocavam para se rebelarem contra os pais, mas não. Era visível a habilidade e grande talento, o que a fez se tornar conhecida naquela região. Há um ano eles se apresentavam na 2D’FLOOR e era o carro chefe daquela bem discreta casa de show. E este seria o show comemorativo de um ano desde que a banda foi formada. Mais um motivo para Érico, Denis, Hugo, Mila e Keila juntarem seus suados trocados para irem prestigiar. Entretanto, Eri tinha uma razão a mais para assistir quase todos os shows: a antes admiração que ele tinha para o baixista estava se tornando em uma enorme queda pelo rapaz loiro de olhos vermelhos, cara de poucos amigos, mas que ao tocar seu instrumento mostrava uma força e paixão que sim, fazia o jovem ruivo ficar de olhos vidrados em toda sua performance. E Mila sabia disso. Sua melhor amiga de cabelos rosáceos e olhos tatuados sempre implicava e incentivava-o a tomar alguma atitude, mas ele temia ser rejeitado e talvez virar motivo de piada entre os integrantes que, por mais boa gente que parecessem, podiam ter uma visão bitolada de mundo e nutrir preconceitos convencionais da sociedade. E assim ele se contentava, sonhava acordado, ficava feliz em estar na primeira fila, olhando os dedos hábeis a dedilhar firmemente aquelas cordas, proporcionando acordes surreais, o suor deslizando sua pele branca, onde os sutis músculos definidos se marcavam na camiseta colada, geralmente a preta com a caveira no peito, provavelmente a favorita dele, os olhos carmesins, aqueles olhos intensos que lhe vinham com a miragem de olhar nos deles, de tamanho o torpor que o rapaz lhe proporcionava... Só de ousar imaginar, suas calças ficavam apertadas, o volume teimava em evidenciar. Quantas e quantas vezes o jovem de cabelos vermelho e dentes afiados ficava aliviado da multidão ficar fixada na banda e, por sua sorte, não notarem a constante ereção que ele disfarçava a cada nota que o loiro emitia. Sim. O desejo era tanto que ele tinha que se controlar para não gozar nas calças. Tantas vezes que ele acabava perdendo o lugar para se recolher no banheiro para aliviar a tensão de seu pênis ou iria explodir ali mesmo. —Ahhhh...Zero... caralho...—Ele gemia o codinome do baixista, uma voz rouca e arrastada onde toda sua vontade refletia a cada jato de porra. Recompunha-se, lavava as mãos e timidamente voltava a sua posição, olhando em volta, torcendo para que ninguém notasse sua pequena fuga. Era sempre assim. A trupe ia para o show, muitas vezes conquistavam o lugar em uma das primeiras filas e, quase no fim do show, Érico se retirava para descarregar a sua arma no banheiro. Chegou o dia do grande show de aniversário da DinaMight! e, como era de praxe, o grupo de amigos já tinham se organizado para ficar bem na linha de frente. Mila, como quem não queria nada, entrega um pacote para Eri que, sem entender nada, pergunta para o que era. —Simples—ela começou–Na hora deles finalizarem o show, entrega isto para o Zero! —O QUÊ?—A sua face contrastava em tons de vermelho, digladiando contra o cabelo—CÊ TÁ LOUCA MULHER! COMO EU VOU FAZER ISSO? —Primeiramente, fofinho, para de gritar que assim teu gay panic fica mais do que evidente e, segundamente, é só esticar o braço enquanto grita pelo nome dele. Tu não vai ser o primeiro cara a fazer isso no show e muito menos o último. Ele é bem popular entre os caras, ainda mais depois dos boatos de que ele curte a fruta—Em um grande e malicioso sorriso, ela despejava as informações para seu meio lerdo amigo que ainda achava um ultraje isso tudo—Não é você que gosta que sejam firmes? Seja homem e encare isso logo de uma vez! Com a face ruborizada, ele concordou com a cabeça. —Ao menos posso saber o que tem no pacote? —Aquele colar que você vivia encarando na entrada e nunca comprava, oras. De fato, ele já pensou em presentear seu objeto de admiração por conta daquele pingente, mas quem disse que tinha coragem? Se não fosse a Mila ele teria perdido muitas oportunidades na vida, ele de certa forma lhe era grato. —Aliás—Ela prosseguiu—se tu não fosse tão tapado já teria avançado algumas casas. —Do que você tá falando, Mila? —Perguntou sem entender nada. —Não falei? Totalmente tapado. —Tanto faz, mas e quanto a você?—falou observando que ela também tinha um embrulho nas mãos—Também vai entregar um presente para um dos membros. —Sim e não—Prosseguiu— A Keila tem uma queda pela tecladista, a Monique, outra tapada que nem você. —Jura? Mas ela não está em um relacionamento com o Saulo? —Nananinanão. Se tu fosse mais ligado, teria percebido o clima que rola entre ele e o Diogo. A única alma solitária é do baterista, o Thiago. —Caramba... por essa eu não esperava. —Claro, tu fica tão focado no Zero que nem nota o resto do grupo. Uma leve determinação corria os nervos de Érico, talvez ele devesse dar aquele pequeno embrulho e talvez tentar puxar assunto com ele nos bastidores. Como a dona do estabelecimento, Felicia, era amiga de longa data, talvez ela facilitasse o encontro. O show inicia. Um a um os membros se posicionavam. Monique no teclado, Diogo na guitarra Thiago na bateria Saulo como segunda guitarra e vocalista E Zero Suas botas pesadas de combate se fundiam no jeans apertado, combinado perfeitamente com a já tradicional camisa preta, seu baixo Warwick Corvette preto, completando aquela obra. Estava lindo como sempre. E como feitiço, Érico mais uma vez se via ali, encantado, preso em cada movimento de seu objeto de desejo.

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