Amélia
Amélia saiu do restaurante às nove em ponto. O uniforme já havia sido trocado por um vestido simples, azul-escuro, que contrastava com sua pele dourada e os cabelos soltos. O batom leve, os olhos marcados. Ela não se produziu para seduzir, mas era impossível não chamar atenção — especialmente para Maxin, que a aguardava no carro, encostado na lateral, fumando um cigarro enquanto olhava para o céu.
Ela observou Maxin e seu coração deu um salto. Não tinha como negar seus sentimentos.
Quando ele a viu, jogou o cigarro fora com um gesto calmo e abriu a porta do carro para ela.
— Pronta? — perguntou.
— Só se for pra conversar — respondeu ela, entrando.
Maxin sorriu de leve, respeitando o limite que ela havia imposto. O carro partiu em silêncio, cortando a cidade noturna iluminada por postes e faróis. Ele a levou a um restaurante à beira de um terraço com vista para a cidade. Um lugar reservado, elegante e ainda assim informal o bastante para que ela se sentisse confortável.
Durante o jantar, Maxin foi mais contido do que ela esperava. Não tentou impressioná-la com poder ou dinheiro. Apenas a escutou. Fez perguntas sobre seus sonhos, sua infância, a época no reformatório.
— Por que se interessa tanto pela minha história? — ela perguntou, desconfiada.
Maxin encarou o copo de vinho antes de responder.
— Porque, em algum ponto, sinto que sua história se cruza com a minha. E talvez… talvez você me faça lembrar que ainda existe algo puro neste mundo podre onde eu vivo.
Amélia ficou em silêncio, tocada. A dureza dele era inegável, mas havia rachaduras. Frestas por onde ela começava a ver o homem por trás da armadura. Um homem ferido, solitário, consumido por fantasmas.
Ao final do jantar, Maxin ofereceu levá-la de volta ao alojamento, mas ela recusou.
— Quero andar um pouco — disse.
E ele caminhou ao lado dela, pelas ruas calmas e quase desertas daquela região nobre. Falavam pouco. Às vezes o silêncio dizia mais do que qualquer palavra.
E então ele parou, ao lado de uma árvore iluminada por luzes tênues de uma praça.
— Se eu te pedisse pra ir comigo agora… não como uma garota que trabalha pra mim, nem como alguém que estou investigando, mas como uma mulher que me faz sentir algo que eu não sentia há dez anos… você aceitaria?
Ela hesitou.
Sentia o coração bater tão forte que era como se vibrasse por dentro. Sabia que era perigoso. Que esse homem não era só desejo — era tormenta, destruição. Mas também era o único que a fazia se sentir real. Desejada. Vista.
— Eu vou — disse, baixo.
Então sem permissão Maxin puxa Amélia para seus braços e beija seus lábios.
Depois disso os dois seguem para o hotel, já consumido pelo desejo Maxin tenta se controlar enquanto dirige.
O quarto de Maxin no hotel era imenso, mas ela só percebeu isso depois. Porque assim que entrou, foi tomada pela intensidade dos olhos dele. Pela forma como ele se aproximou lentamente, respeitando seu espaço, mas deixando claro o que queria.
— Se você me disser não agora, eu paro — murmurou, erguendo uma mecha do cabelo dela. — Nunca mais toco em você.
Amélia ergueu os olhos, e sua resposta veio num sussurro quase imperceptível:
— Não quero que pare.
O beijo foi diferente do primeiro. Não havia mais choque, nem surpresa. Havia entrega. Desejo. Um calor que crescia entre os dois como fogo que consome lentamente, sem pressa. As mãos dele percorreram sua cintura, suas costas, subindo até o rosto, como se memorizassem cada parte de sua pele.
Ele a levou até a cama com calma. Amélia tremia, mas não de medo — de expectativa. Sabia que estava dando um passo importante, íntimo, talvez perigoso. Mas não se sentia forçada. Pela primeira vez, ela estava escolhendo.
As roupas foram tiradas com cuidado. O corpo dela era tratado como algo sagrado. E mesmo com toda a experiência que ele claramente tinha, Maxin parecia descobrir tudo com a mesma urgência que ela. Como se ambos estivessem se entregando pela primeira vez.
Os gemidos foram baixos, contidos, como se não quisessem romper a mágica daquele momento.
E, naquela noite, entre os lençóis quentes e a penumbra do quarto luxuoso, Amélia sentiu o mundo se calar. Não havia passado, nem medo. Só o presente. Só a respiração dele em sua pele. Os olhos cinzentos perdidos nos dela. O corpo colado ao seu, pulsando com a mesma intensidade.
Seus movimentos era suave e gentil, ele sabia que era a sua primeira vez, Maxin foi devagar mesmo acostumando a ser rude com as mulheres que costumam dormir na sua cama.
Amélia se entregou totalmente sem pensa em nada, apenas no que estava sentindo naquele importava.
Ela foi tomada pelo desejo que né sabia que sentia, cada toque, cada beijo foi puro magia.
Quando tudo terminou, ficaram em silêncio, deitados lado a lado. Ele passou os dedos lentamente pela curva do ombro dela. Amélia se virou de lado, olhando para o teto.
Embora ele quisesse continuar achou melhor deixá-la descansar.
— Você parece outro quando me toca — disse, suavemente. — Mais humano.
Maxin a encarou, sério.
— Talvez seja você quem me humaniza.
Ela não respondeu. Apenas encostou a cabeça no peito dele e deixou o sono vir, pela primeira vez sem pesadelos. Pela primeira vez em muito tempo, sentindo-se segura onde deveria sentir medo.
Mas o que Amélia não sabia que quando se envolver com um chefe da máfia não tem volta.
Agora ela era dele, apenas dele.
Do lado de fora, na sacada do quarto, um homem observava de longe com binóculos. Falava baixo no telefone.
— Eles passaram a noite juntos. Parece que o chefe se envolveu de verdade.
A resposta do outro lado da linha veio fria e rápida.
— Então é hora de agir. Quero que traga essa garota aqui. Antes que se envolva ainda mais com Maxin Sokolov.
Ela pode ser alguém que estou procurando a muito tempo, aquela mulher me fez de t**o.