CAPÍTULO 50 ALINE NARRANDO O pano de prato pendurado no ombro, o avental amarrado na cintura e o cabelo preso no coque. Meu segundo dia ali no bar do Seu Zé e parecia que eu já fazia parte da rotina do lugar. A lanchonete era simples, com piso gasto, parede meio descascando e o balcão sempre cheio de marca de dedo, mas tinha movimento o tempo todo. O cheiro de café passado na hora misturado com o de salgado frito enchia o ar, e eu me equilibrava entre bandejas, xícaras e troco contado na ponta dos dedos. — Aline, mesa dois pediu mais dois salgado e uma média! — gritou a dona Odete, que comandava a cozinha com a mão de ferro, mas sempre de bom humor. — Tô indo! — respondi, limpando a mão no avental e correndo pegar os pedidos. Coloquei dois salgados quentinhos no prato, servi a média

