CAPÍTULO 163 CABULOSO NARRANDO O ronco da moto ainda ecoava quando eu parei em frente ao bar do Juninho. Desci devagar, ajeitando o boné na cabeça e puxando a corrente pesada no pescoço. O cheiro de fritura, cerveja e fumaça de cigarro se misturava no ar, junto com o pagode estourando nas caixas. O bar tava lotado, gente rindo, dançando, bêbado tropeçando na calçada. Mas quando eu entrei, parecia que o tempo deu uma travada: todos os olhos me seguiram, como sempre. Atrás de mim, duas piranhäs se jogavam como sombra maldita, rindo alto, mexendo o quadril, querendo aparecer. Eu nem olhava pra elas. Sabia bem o tipo: só queriam o brilho do meu nome. Dei dois passos pra dentro e já senti. O olhar dela queimando em cima de mim. Aline. Ela tava sentada numa mesa mais pro canto, com a Adri e

