Chego no quarto e a Jade tá toda encolhida, dormindo tranquilamente, dá até dó de acordar ela, sério. Mas como prometido, hoje a noite é das meninas, e nem sempre minha mãe pode curtir um pouco, porque ela chega exausta do trabalho.
Angela- prima, acorda. -falo, dando um tapinha de leve no braço dela, ela se vira com o olho meio aberto e se senta na cama.
Jade- nossa, que horas são? -bocejando e se espreguiçando.
Angela- deve ser uma 20h45 por aí, ou 21h, vai saber, vai levanta pra gente fazer pipoca, pegar nosso pudim, e a mãe quer muito te ver e te abraçar! -falei, puxando ela da cama.
Jade- a tia chegou? ebaaa. -ficou até parecendo uma criança contente, que acabou de ganhar um presente.
Jade narrando:
Fomos pra cozinha, e minha tia estava de costas já fazendo pipoca pra gente. Quando percebeu nossa presença ela se virou.
Amanda- minha sobrinha linda, que saudade que eu tava de você meu amor. -começou a chorar e logo eu comecei a chorar também, isso é de família? só pode.
Jade- nem me fale em saudades tia, eu tava morrendo de saudade da senhora também, da sua comida, do seu abraço, saudades de quando a senhora brincava comigo e com a Angela, parecia até criança também. -enxuguei as lágrimas e comecei a rir das lembranças boas.
Angela- eu lembro, a mãe até fazia penteado na gente e tudo mais, era tudo de bom.
Logo nós três nos abraçamos ali, e ficamos uns minutos abraçadinhas.
Amanda- a pipoca já tá pronta meninas, vamos assistir um filme lá no quarto. -falou indo em direção ao quarto com um balde de pipoca na mão
Eu peguei o pudim na geladeira, a Angela pegou o refrigerante e os copos.
Passamos a noite assistindo Ray Charlles, um filme muito bom que a minha tia colocou, sobre a vida de um pianista famoso que é cego. Foi uma noite tão tranquila, depois que perdi meus pais, não tive um dia tranquilo sequer, hoje está sendo o primeiro, o primeiro dia que cheguei aqui no Rio, tá sendo tão bom, se eu chorei? chorei, mas de alívio, de gratidão, de saudades.
Quando acabou o filme, a Angela já tava dormindo no meio de nós, minha tia cobriu ela e deu um beijo na testa dela.
Amanda- Pode dormir aqui também, viu, a cama cabe nós três.
Jade- certo, tia a senhora tá sabendo de uma invasão que vai ter? -pergunto
Amanda- tô sabendo sim, mas não se preocupa, tá? só não sai sozinha esses dias, e quando começar a invasão caso eu esteja no trabalho, vocês tranquem tudo e fiquem no meu quarto e deitadas no chão, certo?
Jade- certo tia, essa noite foi ótima, obrigada, boa noite e dorme bem, amo a senhora! -me deito e me cubro.
Amanda- não tem porquê agradecer, somos uma família, não é mesmo? dorme bem minha linda. -me da um beijo na testa e logo se deita e se cobre e desliga o abajur ao lado dela.