O sol ainda não havia se posto por completo quando Edmund chegou em casa, suado e exausto, com as mãos calejadas e os ombros doloridos após um dia inteiro cortando lenha. Ele jogou o machado no canto com um gesto de irritação e sentou-se pesadamente em uma cadeira, lançando um olhar de desgosto ao redor.
Seus irmãos mais novos estavam ocupados realizando outras tarefas para manter a casa. Dois deles cuidavam da horta maltratada, e outro limpava o galinheiro com uma expressão de absoluto cansaço. O peso da situação finalmente parecia esmagar Edmund, mas o orgulho o impedia de admitir. Ele fitava a casa desgastada e a rotina exaustiva, como se fosse vítima de uma injustiça.
Louise, ao ver o irmão com aquela expressão enraivecida, decidiu que seria melhor manter distância. No entanto, sabia que Edmund não demoraria a explodir, e logo ele começou a resmungar, com a voz carregada de indignação.
— Que humilhação — murmurou ele, mais para si do que para qualquer outro, mas alto o suficiente para que todos pudessem ouvir. — Nós, os Khadowsky, reduzidos a cortar lenha e cuidar de galinhas como simples camponeses. Enquanto isso, Louise passa seus dias na mansão do Duque, servindo como uma criada! Onde está nossa dignidade?
Louise, que tentava organizar a casa e colocar ordem na pequena cozinha, parou e respirou fundo, tentando conter a irritação. Sem se virar, respondeu com firmeza:
— Edmund, todos nós estamos fazendo o que podemos para sobreviver. Nossos títulos e nosso passado de nada servem agora se não nos ajudarem a colocar comida na mesa.
Edmund riu com amargura, balançando a cabeça.
— Ah, sobreviver! E o que mais temos feito além de sobreviver? Enquanto você anda pela mansão do Duque, não lhe passa pela cabeça pedir um favor a ele? Convencê-lo a nos ajudar de forma significativa, talvez?
Louise se virou, encarando o irmão com um olhar determinado.
— Eu sou uma funcionária, Edmund, não uma oportunista. Já disse que não usarei minha posição para arrancar favores do Duque. O que ele nos ofereceu foi uma chance de trabalhar honestamente, e eu aceito isso com gratidão.
Edmund soltou um suspiro exasperado e se levantou, agitando as mãos em frustração.
— É exatamente isso que eu não entendo, Louise! Por que aceitar algo tão pequeno, tão miserável? Você não vê que ele poderia nos tirar dessa situação com uma simples palavra? Ele tem riqueza, influência... e você está lá todos os dias, tão perto de tudo isso, mas age como se tivesse medo de sequer pedir ajuda!
Louise respirou fundo, mantendo-se firme.
— Porque dignidade ainda significa alguma coisa para mim, Edmund. E é por isso que não usarei minha posição para benefício próprio. Não sou como você, que só pensa em ganhos fáceis.
As palavras dela feriram o orgulho de Edmund, que cerrou os punhos e estreitou os olhos, quase em desafio.
— Muito bem, Louise. Continue se enganando, agindo como se a honra pudesse nos alimentar ou nos aquecer no inverno. Só espero que, quando estiver exausta de ser nobre e pobre ao mesmo tempo, não seja tarde demais para perceber que a oportunidade estava ali, e você a jogou fora.
Antes que Louise pudesse responder, Edmund saiu da cozinha com passos pesados, murmurando para si mesmo, claramente irritado. Seus irmãos, que acompanhavam a discussão em silêncio, continuaram suas tarefas, mas o clima pesado pairava no ar.
Louise, ainda abalada pelas palavras do irmão, tentou retomar o trabalho, mas o cansaço e o peso das responsabilidades pareciam mais intensos agora. Sentia o peso de tentar sustentar todos sem recorrer a artimanhas, como Edmund desejava. Ela queria que eles tivessem orgulho do que conquistassem, mesmo que fosse pouco.
Na manhã seguinte, de volta à mansão do Duque
Louise chegou à mansão do Duque com o humor sombrio. Os comentários de Edmund ainda ecoavam em sua mente, mas ela esforçava-se para não deixar que aquilo afetasse seu trabalho. A presença imponente da propriedade, com seus jardins bem cuidados e as janelas altas e iluminadas, a fazia lembrar da grande diferença entre a vida que levavam e a opulência em que Ridley vivia.
Ao entrar, foi surpreendida pela presença do próprio Duque no corredor principal. Ele parecia estar de saída, mas ao vê-la, parou e ofereceu um cumprimento breve, estudando sua expressão com olhos curiosos.
— Senhorita Khadowsky, bom dia. — Ele disse, com um leve aceno. — Está tudo bem?
Louise forçou um sorriso, tentando manter a compostura.
— Sim, milorde. Apenas… uma noite longa.
Ele observou-a por um momento antes de assentir.
— Entendo. Bom, é importante descansar. Mas sei que isso nem sempre é fácil.
Louise assentiu, agradecida pela compreensão. O Duque parecia pronto para seguir seu caminho, mas parou, aparentemente reconsiderando algo.
— Há algo que deseja dizer, senhorita Khadowsky? — Ele perguntou, como se pressentisse o peso das preocupações dela.
Louise hesitou, as palavras de Edmund ressoando em sua mente, mas logo reprimiu qualquer ideia de se abrir. Não queria que ele a visse como uma jovem fraca, muito menos como alguém tentando tirar vantagem de sua bondade.
— Não, milorde. Apenas queria agradecer pela oportunidade de estar aqui. Este trabalho significa muito para minha família.
Ridley observou-a por um instante mais, e Louise quase pensou ver um lampejo de algo além da formalidade no olhar dele. Mas ele apenas assentiu.
— Fico satisfeito em ouvir isso.
Com um último aceno, ele saiu, deixando-a em meio a suas dúvidas e às palavras de Edmund, que ainda pesavam.