Irina No convés do iate, a cidade vira jóia molhada. O vento recorta os sussurros, o gelo nos baldes estala como coral quebrando. Homens de paletó leve e mulheres invisíveis — as que contam — circulam como se o mar fosse tapete. A palavra “evento” é só roupa; por baixo, é culto. Minha operação de acompanhamento premium funciona como igreja de inverno: rito, dízimo, absolvição. E uma liturgia que não se aprende — se obedece. — Telefone aqui. — A comissária recolhe celulares numa bandeja preta. — Sem tela, sem registro. Na sala interna, as taças passam silenciosas. As conversas têm formato de contrato. O toque de sineta anunciaria a “apresentação”, se eu acreditasse em fanfarra. Eu só acredito no frio. A regra central paira sem tradução: ninguém fala, ninguém sabe. Não é frase — é mecanis

