Lorena Gala “humanitária” na Zona Sul tem cheiro de flor inventada e culpa cara. O salão é uma caixa de música: cordas discretas, cristais reluzindo, colunas que fingem Roma enquanto a cidade lá fora late sirene. Eu entro de vermelho fechado, nada de f***a—minha pele decide o que aparece. No lóbulo, o brinco gravador. No forro do vestido, um rastreador do tamanho de um suspiro. Na bolsa, o batom UV que carimba intenções. Linha vermelha traçada: eu cruzo se quiser, volto quando decido. A hostess sorri com dentes treinados. — Sra. Lorena, mesa dos patronos. — Prefiro ficar de pé — respondo, medindo saídas, banheiros, corredores de serviço, o terraço com guarda de bronze. O mapa cabe nos meus ossos. Irina aparece como quem não pede licença do ar. Vestido marfim, olhos que contam sem mexe

