Lorena O gerador tossiu duas vezes e acordou metade da casa. A luz de emergência acendeu como ferida contida: faixas vermelhas aparadas no rodapé, pontos brancos nos cantos, a lua de aço lá em cima respirando em silêncio. O blackout tinha virado muralha; a água do sprinkler ainda pingava, cheiro de álcool e ozônio. Eu estava no corredor em Z, costas na parede, copo de água com limão abandonado no chão. Respirei. Bússola, não vitrine. — Oração — sussurrei no brinco. Pipa respondeu no meu ouvido, sem ruído: — Perímetro A seguro. Setor B pedindo mão. Monge no teto, Cássio no serviço, Barroca na porta. Você, centro. Centro. Eu odeio quando essa palavra me escolhe sozinha. Mas a casa estava no fio. Dei dois passos, peguei o rádio que pendia do cinto de um garçom pálido e baixei o tom que m

