👑 A decisão de Max - 7
Mais um dia havia se iniciado no pequeno povoado de Amália, o palácio estava silencioso, silencioso desde o dia que Max contou à sua família sobre a sua namorada brasileira. Havia tensão e preocupação por todos os lados daquelas paredes.
- Pai, podemos conversar em particular? - Max finalmente direcionou algumas palavras ao pai.
- Claro, vamos até o escritório. - Fernando deixou a xícara de café sobre o pires e se levantou.
Maximiliano se levantou sem sequer ter tocado no seu café da manhã, não estava de humor para comer absolutamente nada, a única coisa que sentia era um peso e um vazio ao mesmo tempo dentro de si. Ao entrarem, Max fechou a porta e respirou fundo.
- Então? O que queria falar comigo? - Fernando cruzou as mãos diante do seu corpo.
- Eu aceito me casar com a moça que vocês arrumaram, pai. - Maximiliano travou os dentes abaixando a cabeça.
- Sábia decisão, meu filho. - Fernando respirou aliviado. - Você traz orgulho para nossa família com essas palavras.
- Só tenho uma condição, eu quero ir ao Brasil conversar com ela pessoalmente, não é uma notícia fácil de se dar e muito menos se diz algo assim pelo telefone.
- Está certo. - o rei afirmou com a cabeça. - Você pode preparar suas malas e ir ao Brasil falar com essa moça. Agora, vamos comunicar à família sua decisão e tirar a angústia que pesa sobre eles.
Fernando se aproximou do filho e deu dois tapinhas no ombro dele em forma de consolo, mas nada no mundo poderia preencher o buraco que crescia dentro dele.
- O nosso Max vai se casar com a filha dos Callore. - Fernando falou orgulhoso quando retornaram para a mesa do café da manhã.
- Isso é uma excelente notícia! - Anastácia vibrou de alegria. - Finalmente meu filho está com o juízo aceso novamente.
- Muito bem, Max, você deixa a sua avó cheia de orgulho de você. - Mélore sorriu.
- Se me derem licença, vou até o meu quarto, preciso fazer minha mala. - Max deu um sorriso amarelo aos seus parentes e subiu para o quarto.
Enquanto Max fazia sua mala, Estela se encontrava com Christian no cantinho escondido de sempre.
- Senti sua falta. - ela sorriu enquanto segurava a mão dele.
- Nos vimos ontem. - Christian deu risada e acariciou o rosto de Estela antes de deixar um beijo doce nos lábios dela.
- Eu sei, mas gosto de estar com você, você me faz bem, me acalma. - Estela esboçou um sorrisinho bobo entre os lábios. - Por que está me olhando assim? O que foi?
- Nada é só que estão surgindo algumas situações que podem comprometer a minha estadia aqui.
- Como assim? - ela franziu a testa confusa.
- Eu vou abrir uma empresa, mas pra isso eu preciso ir embora de Amália.
- Ir embora? Por quanto tempo?
- Eu ainda não sei, mas tem outra coisa que eu quero que você saiba. - Christian respirou fundo nervoso.
- Christian, sua cara está me assustando, é algo grave? - Estela perguntou preocupada.
- É, é algo que você tem que saber diretamente por mim... - ele fez uma pausa enquanto olhava nos olhos de Estela. - Eu sou um pária, Estela.
Estela o olhou confusa e deu risada sem acreditar no que havia ouvido.
- Pare com isso, Christian, essa brincadeira não tem graça.
- Estela, não estou brincando com você, quem dera fosse brincadeira. Eu sou um pária, não sou filho biológico de Sahir, ele me adotou quando eu era apenas uma criança.
- Um pária? - Estela se afastou com lágrimas nos olhos quando percebeu que aquilo não era uma mentira. - Christian...
- Por favor, me desculpe não ter te contado antes, por favor, eu fiquei com medo de te perder. - ele se ajoelhou diante dela. - Eu queria ter te contado antes...
- Você é um pária... Um intocável... - ela colocou as mãos na boca enquanto sentia algumas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. - Como pôde mentir pra mim assim?
- Estela, eu juro por todo o amor que sinto por você, que não queria que chegasse a esse ponto. Eu tive medo, muito medo que você me olhasse com desprezo e que me rejeitasse.
Ela ficou em silêncio e fechou os olhos, estava apaixonada, seu corpo ardia de paixão por ele mesmo depois daquela notícia, mas ela sabia que seus pais jamais iam permitir aquele casamento.
- Estela, eu te amo, eu te amo mais que a mim mesmo. - Christian segurou a mão dela ainda ajoelhado. - Por favor, não me rejeite.
- Não consigo rejeitar você, Christian... - ela se abaixou na frente dele. - Porque estou muito apaixonada por você.
Seus olhares se encontrarem diante de tantas lágrimas, no momento que os lábios de Estela tocaram os de Christian, ele sentiu seu coração se acalmar e soube ali que ela o amava de verdade.
- Você tem que me levar com você, não importa pra onde você vá, eu quero ir com você. - Estela falou com o rosto junto ao dele. - Não quero que me deixe sozinha para trás.
- Eu prometo que não vou te deixar pra trás, eu prometo. - Christian sorriu segurando delicadamente o rosto dela. - Preciso ir para os Estados Unidos o quanto antes, deixe suas malas prontas.
- Tá bom. - ela sorriu de orelha a orelha. - Vou deixar tudo pronto, agora preciso ir, já demorei demais.
- Nos vemos amanhã?
- Com certeza. - antes de sair ela depositou um beijo doce nos lábios dele.
Estela caminhou de volta para casa e ao entrar na sala, encontrou a família reunida.
- A família reunida? Que coisa boa. - ela sorriu se aproximando. - Que caras são essas?
- Minha filha, Christian não é quem diz ser. - Ciça falou aflita.
- O que? Como assim? - Estela olhou confusa para a mãe já prevendo qual seria a resposta.
- Ele é um pária. - Edgar falou sério. - Ele mentiu para você, mentiu para todos, Sahir me disse hoje. Christian não é do clero, ele é um intocável.