👑 Situação adversa - 5
A festa de casamento prosseguiu sem surgir nenhum problema, Estela decidiu focar na felicidade do seu irmão e aproveitou a comemoração. A família real também não se demorou na festa e chegando ao palácio, Max pediu para conversar com seu pai a sós.
- E então? O que queria falar comigo, meu filho? - Fernando perguntou fechando a porta do escritório.
- Pai, eu gostaria de conversar com o senhor sobre o casamento.
- Estou ouvindo, Max. - Fernando se sentou na cadeira atrás da mesa.
Max respirou fundo com medo da reação de seu pai, sabia que não seria uma missão fácil, não seria uma notícia agradável, mas queria e iria escolher sua esposa.
- Não posso e não vou me casar com a moça que vocês arrumaram. - ele finalmente se arriscou.
- O que foi que você disse? - Fernando franziu a testa e se levantou.
- Eu já tenho uma moça para me casar, pai. - Max fez uma pausa antes de continuar. - O nome dela é Maria Eduarda, é uma brasileira.
Fernando riu irônico e balançou a cabeça sem acreditar nas palavras que acabara de ouvir do filho.
- Max, pare com essa brincadeira, uma brasileira, essa pegadinha foi muito boa. - ele olhou para o filho, que permanecia com a expressão séria. - Me diga que está brincando.
- Não estou, pai. - Max permaneceu imóvel no meio da sala. - Não quero me casar com nenhuma outra mulher que não seja aquela que eu escolhi.
- Eu não permito isso! - Fernando alterou o tom de voz. - Eu não vou permitir que você envergonhe a nossa família dessa maneira, não vou!
- Deixe eu trazer ela aqui para o senhor conhecer, garanto que todos vão gostar dela, ela está disposta a aprender sobre nossa cultura, nossos costumes, nosso modo de viver.
- Não me peça um absurdo desse, Maximiliano Ferri! - o pai gritou mais uma vez. - Você não vai desonrar as gerações da nossa família se casando com uma desconhecida, com uma moça que não é de nosso povoado e não tem os nossos costumes.
- Estou lhe pedindo que a conheça primeiro, meu pai. - Max implorou. - Ela não é uma má pessoa, ela é tão boa quanto as moças daqui.
- Não repita uma barbaridade dessas, Max, você está proibido de se casar com essa estrangeira, irei pedir a Atlas que adiante o casamento que ele arrumou com a filha dos Callore.
- Eu não vou me casar com ela, eu não posso fazer isso com a Duda, ela está mudando a vida dela por mim, disse que iria vender o apartamento, o carro, tudo que ela tem pra vir embora morar com a gente.
- Isso não é problema meu, Max, mas dinheiro também não, nós podemos mandar alguns euros para ela, para cobrir todo o prejuízo que ela terá por sua culpa.
- Não, eu não vou aceitar que o senhor faça isso com ela. Eu vou me casar com a Duda.
- A é? - Fernando ficou cara a cara com seu filho. - Pois se você se casar com ela, sua linhagem acaba aqui, nenhum filho seu que nascer dela será um filho digno, um filho real, não será alguém da realeza, você vai matar toda uma geração que virá depois de você.
- Não diga uma coisa dessas, pai, por favor, eu lhe peço... Tudo que eu mais prezo nesse mundo é a nossa família.
- Não parece, Maximiliano, com o que você disse pra mim, você nos envergonha. Ouça bem o que eu vou dizer, se você se casar com aquela estranha, você será banido da sua posição, da sua casta, do seu povo, do seu reino e da sua família, eu não serei mais o seu pai e sua mãe não será mais a sua mãe.
- Pai, não faça isso... - Max foi interrompido.
- O recado está dado, Max, pense com sabedoria o que você quer fazer. - Fernando saiu do escritório fervendo de raiva
Max ficou estático e sem palavras no meio do escritório, não podia acreditar no ultimato que seu pai havia lhe dado. Por um lado, ele amava a Duda, era apaixonado por ela, pelo que ela significava para ele, pelo jeito doce dela, mas por outro tinha a sua família, seu pai, sua mãe, seus irmãos, sua avó, que eram pessoas muito importantes para ele, apesar de Max não se importar muito com a coroa, ele ainda se importava com o povo, ainda era fiel aos seus costumes e suas tradições e amava sua família.
Na manhã seguinte, o clima no palácio era tenso, estava óbvio que havia algo errado ali.
- O que foi que aconteceu? - Anastácia perguntou enquanto servia café ao seu marido. - Estou achando o clima nessa mesa muito pesado.
Fernando e Maximiliano se olharam por uma breve fração de tempo.
- Conte à sua família, meu filho, conte a eles o que você me disse ontem a noite. - Fernando falou o encarando.
- Max? O que aconteceu? - Ana se virou para o filho preocupada. - Vamos, diga, você e seu pai estão me assustando com essas caras.
Max permaneceu com a cabeça baixa, com um nó atravessado na garganta, com a cabeça cheia e confusa e o coração a mil.
- Max? - Mélore olhou para o neto confusa.
- Diga a eles o porquê você não pode se casar com a filha dos Callore, Maximiliano. - Fernando pigarreou.
- Eu tenho uma namorada, uma brasileira e é com ela que eu quero me casar. - houve um silêncio ensurdecedor na mesa após as palavras de Max.
- Você só se casa com essa estrangeira por cima do meu cadáver. - Mélore falou se levantando. - Não vou deixar você desvirtuar toda a linhagem real da nossa família.
- A Max, você está envergonhando sua mãe, não foi isso que eu passei a você, não foi isso que eu lhe ensinei. - Anastácia colocou a mão no peitø constrangida e choramingando. - Eu juro, eu juro que fico sem comer e sem beber se você me der um desgosto desse e você sabe que eu faço o que eu digo, Maximiliano.
- Mãe, não seja tão extremista... - Max se levantou e se aproximou dela. - Achei que você me entenderia...
- Não, meu filho, eu não posso entender essa sua vontade de sair de nossos costumes e cortar a nossa linhagem como se corta um pedaço de carne.
- Eu sabia que você ia tentar envenenar a nossa família com suas várias modernidades, Max. - Emeth se levantou irritado.