cap 03 Estou feliz

792 Words
Emily Eu estava sem acreditar que eu tinha feito aquilo. Eu me prostituí pra um traficante preso — e na minha cabeça, isso era algo impossível de acontecer comigo. A gente pensa que coisas ruins só acontecem com os outros, mas eu já tava afundada na merda; não tinha mais nada pior pra acontecer. E eu odeio admitir que não foi r**m como eu pensava. Não foi um bicho de sete cabeças, não foi sem consentimento, não foi nojento — e eu senti prazer. Há anos eu não sentia isso: me senti mulher, como nunca antes. E o mais incrível foi que ele não precisou mover um músculo pra me fazer gozar; estava tão prazeroso que eu mesma me fiz gozar. Porra... não me arrependo. Eu nunca tinha gozado assim como com ele — é uma sensação completamente nova e que eu gostei. Mas ao mesmo tempo, minha consciência pesa quando lembro da minha pequena. O dinheiro tava na conta, eu confirmei assim que pisei fora do presídio. Mas era um dinheiro sujo, conseguido de uma maneira suja. Minha mente estava em dilema, mas eu não podia paralisar minha vida por causa de uma visita íntima. A primeira de dez. Foi o trato que fiz com Fogo há dois dias atrás: dez visitas, às quartas, às oito da manhã. E após cada uma, o dinheiro estaria na minha conta com o aluguel descontado. Mas era tanto dinheiro que o aluguel nem faria falta — e realmente não fez. Ainda tinha a questão de manter isso em sigilo: eu e minha filha estaríamos em risco se eu falasse pra todo mundo que to fazendo visitas íntimas pro Russo. Ele é um cara grande no tráfico; muita gente quer chegar nele e pode me usar pra isso. A primeira coisa que fiz ao chegar no complexo foi parar no mercado. Comprei tudo o que sempre tive vontade e não pude — coisas pra mim, mas noventa por cento eram pra minha garotinha. Ela é e sempre vai ser a minha prioridade, não importa o que aconteça. Cheguei em casa cheia de sacolas e feliz demais — me deu vontade de chorar. Tirei a roupa e, pela primeira vez no dia, tive coragem de me olhar no espelho do banheiro. Estava magra demais, os ossos visíveis, a cintura mais fina que o normal. Mas o que me chamou atenção foram as marcas no colo: chupões bem escondidos, tapas marcados na minha pele escura. Meus cabelos estavam sem vida e ressecados — mas eu iria cuidar de mim, priorizar o autocuidado. Lena é a primeira, mas eu também preciso de tempo pra mim. Olhei no relógio: faltava uma hora pra ela sair da escola. Fui pra cozinha adiantar o almoço, depois coloquei uma roupa pra buscá-la. Caminhamos conversando sobre a aula e os amiguinhos dela. Chegamos em casa e ela correu pra ver a surpresa no sofá: duas bonecas que comprei no caminho. Lena: “Mamãe, você comprou?” Ela me olhou toda feliz. Emily: “Sim, amor.” Ela pulou animada — isso fez meus olhos marejarem. Pode parecer simples, mas pra mim é uma conquista. Eu faria qualquer coisa por ela — e o que eu fiz hoje foi a prova disso. Coloquei a comida na mesa, servir o prato dela e ela me olhou. Lena: “Mamãe, a tia Hanna que trouxe pra nós?” Emily: “Não, filha. A mamãe comprou. Agora eu tô... trabalhando.” Me senti m*l de omitir, mas agradeci mentalmente por ela ter entendido. Ela comeu feliz, depois brincou com as bonecas e tomou banho pra dar o cochilo. Pensei em ir comprar o anticoncepcional enquanto ela dormia, mas como sei que Fogo pode entrar na casa, preferi ir quando ela estivesse acordada pra vir comigo. Aproveitei pra guardar as compras: ver o armário cheio e a geladeira farta era algo que nunca aconteceu nesses anos morando aqui. Tive que agradecer. Paguei contas atrasadas, tomei um bom banho lavando os cabelos cacheados — queria alisar, mas não sabia cuidar, então assisti vídeos de finalização. Coloquei uma roupa mais levinha que tampasse as marcas de Russo, penteei meus cabelos com o creme que comprei e fui pro quarto onde Lena dormia. Aqui tínhamos um quarto bem apertado pra nós duas. Sempre quis me mudar, ter um espaço maior pra ela ter privacidade e qualidade de sono. Ela acordou depois de quase uma hora. Arrumei ela pra sairmos: passei na farmácia, comprei o remédio e tomei logo. Em seguida, fui pra uma sorveteria comprar o sorvete de morango que ela pediu todo o caminho. Estava feliz — mesmo sabendo que dinheiro não compra felicidade, mas eu podia comprar coisas que deixavam a minha menina feliz. E isso me fazia feliz.
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