Capítulo 45

983 Words
Nerone estava na oficina, cuidando da sua moto, quando Zion apareceu vestindo roupas velhas. A cena o divertiu — o menino claramente levando a sério a tarefa de restaurar a moto ao seu lado. — Boa tarde, senhor — disse ele, aproximando-se e retirando a capa que cobria a moto. Os seus olhos brilharam ao encará-la. — Tem passado bem, Zion? — perguntou Nerone, indicando com um gesto para que ele lhe entregasse a chave próxima dali. — Estou bem — respondeu, entregando a ferramenta. — E os meninos? Fez-se uma pausa. Nerone se virou e encontrou o olhar hesitante de Zion. — Não gosto de mentiras, Zion. Aqui confiamos uns nos outros e sempre dizemos a verdade, independentemente do que seja — disse, parando o que fazia para encará-lo. Os olhos do menino se desviaram. Ele se sentia encurralado, mas não mentiria para o homem à sua frente — não depois de tudo que Nerone havia feito por ele. — Não quero perder a confiança deles, senhor — disse, de cabeça baixa. Zion tinha o carinho e a confiança dos pequenos furacões e não queria perder o vínculo que havia construído com eles. — E não vai — respondeu Nerone, com calma. — Mas preciso saber o que eles têm aprontado para que possamos cuidar melhor deles. Sem esperar resposta, voltou a trabalhar na moto, dando espaço para que o menino decidisse sem pressão. Se Zion optasse por não contar, ele respeitaria — tinha outros meios de descobrir o que os seus sobrinhos aprontavam em sua ausência. — Eles têm frequentado as aulas... — começou, hesitante — mas, às vezes, ficam no pátio. E, como não consigo fazê-los voltar para a sala, fico com eles lá. Nerone se virou lentamente. Podia ver o rosto do menino corado de vergonha. — Sei que não é só isso, mas não vou te pressionar. Vou acessar as câmeras da escola e verificar por conta própria. E não se preocupe, eles não saberão que você me disse algo. Aquelas palavras parecem ter acalmando o menino que suspira aliviado apenas concordando. — Obrigado, senhor. — Venha, vamos começar a sua aula — disse Nerone, entregando-lhe uma chave. Um sorriso raro surgiu no rosto de Zion ao pegar a ferramenta. Zion tinha um largo sorriso no rosto ao pegar aquela chave, algo raro nele. Nerone explica que eles teriam que desmontar a moto para verificar tudo o que precisavam ser feito, e Zion se animou ao começar a remover os parafusos que prendiam as peças. Mesmo sendo pequeno ele era ágil e com a ajuda de Nerone rapidamente tinham desmontado toda a moto. — Agora vou te ensinar a identificar uma peça com defeito — disse Nerone, pegando um dos componentes espalhados pela garagem. O som de um helicóptero se aproximando o fez parar. Instantaneamente, Nerone pegou a arma sobre o balcão e saiu da oficina, com Zion ao seu lado. No pátio, os soldados já estavam posicionados, o que deixava claro: quem chegava não era esperado. O helicóptero pousou lentamente, levantando uma nuvem de poeira. Quando ela baixou, uma massa de cabelos loiros saltou da aeronave — uma mulher, sorrindo, com os olhos fixos em Nerone. Ela correu em sua direção. Os soldados mantinham as armas apontadas, atentos. Os ocupantes do helicóptero estavam desarmados, mas ninguém relaxava. Quando a mulher se aproximou, Nerone ergueu a arma, engatilhando-a e apontando diretamente para sua cabeça, sem qualquer expressão. Ela parou bruscamente, os olhos arregalados. — Se der mais um passo, eu te mato — disse ele, sem hesitar. — Calma, senhor… sou eu — disse um homem, aproximando-se com as mãos erguidas. — Suma. Não tenho negócios com você — respondeu Nerone, já se virando para sair. — Espera! — gritou o homem, desesperado, entrando em seu caminho. — O senhor fez o seu trabalho, e eu prometi que pagaria com o que tenho de mais valioso! Nerone o encarou com desprezo. O serviço havia sido feito — e ele esperava o pagamento. — Um dos soldados vai te passar minha conta bancária. Fora isso, não tenho mais nada a tratar com você. — Não é isso, eu… — O senhor está sendo inconveniente — disse Zion, posicionando-se à frente de Nerone. — Está sendo desrespeitoso com o meu tio e invadindo propriedade privada. Nerone se surpreendeu. O olhar do menino era mais fofo do que ameaçador, mas a determinação ali era inegável. — Seu tio? Eu… — Diga logo o que quer. Tenho mais o que fazer — disse Nerone, impaciente. O homem respirou fundo e segurou a mão da filha, colocando-a à frente. — Vim trazer o meu maior tesouro — disse, sorrindo. — Minha filha. Quero dá-la em casamento para você. O silêncio caiu pesado. Os soldados trocaram olhares e deram um passo atrás. Todos sabiam que Nerone só tinha olhos para uma pessoa — e ninguém ali era louco de brincar com isso. — Sua filha? — perguntou ele, com o maxilar travado. — Sim! Você a salvou, e ela é muito grata. Seria perfeito se se unissem… além de toda a minha fortuna, que também seria sua. Nerone deu um passo à frente. — Eu tenho cara de mendigo? — disse, frio. — Estava na sua casa pedindo esmola? Outro passo. Zion reconheceu aquele olhar. Sem pensar duas vezes, saiu correndo em direção à mansão. — Mãe! — gritou ao entrar, procurando Oksana pelos cantos. — O que foi, garoto? — perguntou Oksana, surgindo no alto da escada, de roupão. — Que bonitinho… me chamou de mãe. Ela desceu e o pegou no colo, enchendo-o de beijos. Zion se debateu, tentando falar. — É o tio, mãe! Ele vai matar alguém! — disse, desesperado, ao conseguir se soltar. Oksana congelou. Os seus olhos se arregalaram. Sem perder tempo, correu até uma mesinha, pegou uma pistola e saiu porta afora — com Zion logo atrás.
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