Capítulo 44

930 Words
O som das rodas do carro sobre o cascalho ecoou pelo pátio da mansão, quebrando o silêncio pesado da noite italiana. Nerone não se deu ao trabalho de observar a fachada iluminada — ele a conhecia bem demais. Cada pedra, cada sombra… tudo ali carregava a história de sua família. Assim que a porta se abriu, ele entrou rapidamente. Queria poder tomar um bom banho e descansar, mas, ao que parecia, seu irmão tinha outros planos. — Ele chegou — disse Calebe. Nerone nem precisou perguntar onde estavam. Caminhou direto para a sala principal, encontrando Aurélio à sua espera. Aurélio permanecia de pé, ao lado da lareira. Em sua mão, o seu velho copo de whisky repousava. Oksana tinha um olhar preocupado ao encarar Nerone. Ela havia visto o quanto Aurélio se preocupara com o garoto, e vê-lo bem naquele momento os aliviava. — Demorou — disse Aurélio. — Fui rápido, mas Lorel precisa aprender a treinar os seus homens. Não tem como eu continuar fazendo favores para ele — respondeu, deixando-se cair no sofá. — Vou conversar com Ricardo sobre isso — disse Aurélio, com um leve aceno de cabeça. — Mas o que quero saber é por que fiquei sabendo do que houve na Toca por meio de um convite. — Quer me explicar — continuou, agora com um tom mais cortante — por que eu não fui informado sobre o que aconteceu na Toca? Nerone respirou fundo, mas não desviou o olhar. Ele podia ver o quanto seu irmão estava irritado. — Porque acabei indo ver Amália, e depois Ricardo me mandou até Lorel. Não tive como avisar — justificou-se. — Ficamos preocupados, Nerone. Você sabe que os Roux não são flor que se cheire — disse Oksana, lançando-lhe um olhar significativo. — O filho do Cobra me desafiou — sua voz era firme, sem hesitação. — Uma luta. Até a morte. Oksana o encarou, surpresa. Aquilo não era bom. — E você aceitou… — murmurou. — Aceitei. Eles me descobriram na ilha, não tive escolha a não ser aceitar — explicou. — Aquele filho da mãe! Vou arrancar o couro daquele empresário safado — disse Aurélio, furioso. — Venci — disse Nerone, com satisfação no rosto. Aurélio suspirou. — Jamais duvidei que você ganharia, Nerone. Você é um Donati — disse, com orgulho. Os anos de treinamento aos quais Nerone havia se submetido tinham valido a pena. — E por que você decidiu que ele viveria? — perguntou Aurélio. — Era um desafio até a morte — continuou Nerone —, mas eu não precisava provar nada a eles. Além disso, é melhor ter um novo aliado do que um novo inimigo. Aurélio observou o irmão com orgulho. Ele estava se tornando alguém admirável, desenvolvendo características que todo grande líder deveria ter. — Fez a escolha certa, irmão. Estou muito orgulhoso de você — disse Aurélio, aproximando-se e dando um tapinha em suas costas. — Vou me casar, irmão, e não quero fazer inimigos para colocar Amália em risco. Prefiro tê-los por perto. O canto da boca de Aurélio se moveu, quase um sorriso. Ao que parecia, o amor estava transformando a vida de Nerone. — Que bonitinho! — disse Oksana, levantando-se e apertando as bochechas de Nerone. — Ele está ficando romântico, Moreno. Nerone fechou a cara, mas não podia fazer nada. A sua cunhada era insistente quando se tratava de provocá-lo. — Então agora você é afilhado do Cobra? — perguntou Aurélio. — Sim. Ele me tornou afilhado — respondeu Nerone. — Ele não parece ser tão r**m quanto dizem. — Todos temos várias faces, Nerone. Não podemos descuidar, não até termos certeza de que ele é confiável. — O chefe está certo, garoto. Você precisa ser cuidadoso de agora em diante — disse Calebe, que permanecera em silêncio até então. Calebe sempre mantinha um pé atrás com todos. Havia aprendido a ser cauteloso, e era graças a isso que ainda estava vivo e cuidando de sua família. — Bem, ele marcou a cerimônia para daqui a dois dias — disse Aurélio, entregando o convite a Nerone. Nerone pegou o convite e se surpreendeu com a qualidade do material. Ao que parecia, a sua apresentação como m****o da família do Cobra seria algo grandioso. — Sim, ele havia dito que estava com pressa, então isso não me surpreende. — Mas isso é bom. Assim poderemos analisá-lo pessoalmente e ver se está tudo certo com as suas intenções — disse Oksana. — Então nós vamos ter festa? — perguntou Lorenzo, descendo as escadas com seus irmãos. — Não para vocês, garotos. Isso é coisa de adultos — disse Oksana, encarando-os com a sobrancelha arqueada. — Vocês sempre deixam a gente de fora, mãe — disse Massimo, cruzando os braços. — Isso porque é coisa de adultos, e pode ser perigoso para vocês — disse Aurélio. — Quando vamos poder participar dessas festas? — perguntou Gaia, fazendo um pequeno bico. — Venha aqui, minha princesa — disse Aurélio, abaixando-se e abrindo os braços para a pequena. Gaia correu e se jogou nos braços do pai. — Vai chegar a hora de vocês, mas terão que ter paciência até lá. — Seu pai está certo. Daqui a alguns anos, vocês vão até se cansar dessas festas — completou Oksana. — Mas quem vai proteger o tio Nerone? — perguntou Lorenzo. — O seu tio não vai precisar de proteção. É uma festa para garantir a segurança dele — explicou Calebe. Aos poucos, os pequenos foram se acalmando, mas ainda não estavam satisfeitos por serem deixados de lado.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD