Capítulo 10

1044 Words
Tudo o que vinha à mente de Nerone era o vídeo de Amália cuidando dos inúteis que ele havia surrado, e aquilo o enfurecia. Ainda assim, naquele dia ele pretendia deixar claro o que aconteceria caso eles voltassem a se aproximar de sua mulher. Ninguém o deteve quando ele entrou na unidade médica. Todos sabiam que não poderiam enfrentar o homem que estava diante deles. Nerone havia se transformado nos últimos anos: de um menino frágil em um homem letal — e todos tinham plena consciência disso. — Você não devia estar aqui — disse a médica, já prevendo o pior. — Não vim causar problemas. Quero apenas conversar com eles — respondeu Nerone. — Você já causou problemas, Nerone. E não preciso dizer o que vai acontecer com você se fizer algo com esses garotos — retrucou ela, arqueando uma sobrancelha. Nerone apenas assentiu antes de puxar a porta e entrar no quarto onde estavam os dois homens que ele havia espancado. Assim que ele entrou, os dois se assustaram. Os seus olhos se arregalaram ao ver o rosto frio de Nerone. — Não fizemos nada. Temos cumprido o que você pediu — disse um deles rapidamente, enquanto o outro o encarava com desprezo. — Eu sei disso, Daniel. Se não tivesse cumprido, eu saberia — respondeu Nerone. — E você sabe quais seriam as consequências. O homem engoliu em seco ao ouvir aquelas palavras. Sim, ele sabia muito bem o que aconteceria caso se aproximassem de Amália novamente, e só de pensar nisso sentia um frio febril percorrer o corpo. — Veio tripudiar sobre a nossa desgraça? — perguntou o outro, com o maxilar travado de raiva. — Não preciso disso. Se quisesse, teria matado vocês dois naquele dia, Silas. Mas não fiz. Silas odiava aquilo — a maneira como Nerone sempre o encarava, como se ele não fosse nada. — Não vou me afastar dela. Se quiser, pode me matar — disse ele, enfrentando o olhar sombrio de Nerone. — Que bom que sabe o que vai te acontecer — respondeu Nerone, aproximando-se mais dos dois. — Olha, Nerone… — começou Daniel, mas foi interrompido. — Me ouçam bem, vocês dois. Amália é minha. Ela será minha esposa. E espero que fiquem longe dela para o próprio bem de vocês. Nerone tinha várias maneiras de fazer os dois desaparecerem sem deixar rastros, mas estava lhes dando a chance de se colocarem em seus devidos lugares. — Eu não tenho nenhuma má intenção com ela, Nerone. Você sabe que Amália é como uma irmã para mim. Respeito o compromisso de vocês. Não precisa se preocupar — disse Daniel apressadamente. — Isso te livra de muitos problemas, Daniel. Um deles sou eu batendo à sua porta. — Você não me mete medo, e eu não vou me afastar dela — retrucou Silas, com os olhos brilhando de ódio. Nerone sorriu. E nunca era bom quando ele sorria. Ele caminhou até a cama onde Silas estava e, antes que o homem percebesse, apertou a sua garganta com uma das mãos. — Eu quero que você faça isso, Silas — disse ele calmamente. — Porque vai ser um prazer me livrar de você. E sabe o que é melhor? Ninguém vai fazer nada a respeito. Porque você não vale nada. A sua vida miserável só tem valor para você mesmo. Se eu te pegar perto da minha mulher novamente, eu te mato. As palavras de Nerone eram tranquilas enquanto ele apertava o pescoço do homem. Não havia pressa em seus movimentos, e naquele momento Silas o havia irritado profundamente. — Solte ele — disse uma voz atrás dele. — Sim, chefe — respondeu Nerone, soltando o pescoço de Silas, que passou a respirar desesperadamente. — Já deu o seu recado? — perguntou Ricardo. — Sim. — Ótimo. Vocês dois estão avisados. Não podem chegar perto de Amália novamente. Conhecem as nossas regras e o preço por quebrá-las. — Isso… não é justo — disse Silas, com dificuldade. — Não venha com essa, Silas! — retrucou Ricardo. — Você foi avisado e, mesmo assim, fez o que não devia. Se ele te der um tiro na próxima vez, eu não poderei fazer nada. — Mas, chefe… — Chega! Se não me obedecerem, serei obrigado a transferir vocês de cidade. É isso que querem? — Não — responderam os dois, contrariados. — Então façam apenas o que estou mandando. Ricardo então se virou para Nerone. — E quanto a você, sabe o que vai acontecer se fizer algo no meu território sem a minha permissão. Os olhos de Ricardo se fixaram firmemente em Nerone, deixando claro que anos de amizade não diminuiriam a punição caso ele quebrasse as regras. — Eu sei, chefe — respondeu ele. — Ótimo. Agora podemos ir. Temos um noivado para participar, e o seu sogro deseja falar com você. Nerone encarou Ricardo. — Como? — O seu sogro deseja ter uma conversa com você. Ele está te esperando no meu escritório — disse Ricardo, já saindo do quarto. — O senhor sabe o que ele quer? — perguntou Nerone, curioso. Em todos aqueles anos, ele havia falado poucas vezes com o pai de Amália. Nerone sempre deixava que Ricardo resolvesse essas questões, já que passava a maior parte do tempo em missões. Por isso, não entendia o que o homem poderia querer com ele. — Provavelmente te ameaçar — respondeu Ricardo, sorrindo. — Me ameaçar? Mas por quê? Ricardo observava o rosto apreensivo de Nerone com certo divertimento. O garoto podia ter crescido e se tornado letal, mas entendia pouco das nuances da convivência social. — Ele é pai, Nerone. E vai estar entregando o maior tesouro da vida dele a você. É normal que ele te ameace antes da cerimônia. Coisa de pai. As palavras de Ricardo começaram a fazer sentido para Nerone. Ao longo dos anos, ele sempre fora cuidadoso em não interferir na vida de Amália, preservando a autoridade que os pais tinham sobre ela. Mas, depois daquela noite, isso mudaria. Ele passaria a ocupar o lugar de figura de autoridade em sua vida. Nerone suspirou. Sabia que não havia como escapar daquela conversa. Tudo o que podia esperar era que o seu futuro sogro não resolvesse atirar nele.
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