Nerone observava a caixa do anel nas suas mãos como se ela fosse o seu maior tesouro — e, de certa forma, era mesmo.
Ele ansiava para ver a expressão de Amália quando visse aquele anel. Desejava que a sua amada o apreciasse da mesma forma que ele o apreciava. A pedra era única, rara e perfeita — exatamente como a sua “Tampinha”.
— O anel não vai desaparecer, cunhado.
Oksana observava havia algum tempo o cunhado encarando a pequena caixa. Ela sabia o quanto ele havia se dedicado àquela criação e se orgulhava de vê-lo levar o seu compromisso tão a sério.
Nerone apenas ergue os olhos para ela e sorri.
— Vai desenhar um para mim, tio? — pergunta Milena, com os olhos brilhando ao observar o anel.
— Sim, Mili. Quando você for um pouquinho maior. — responde ele, pegando a pequena nos braços.
— O meu eu quero com pedras escuras. — diz Gaia, abrindo um sorriso.
Gaia era o completo oposto de Milena, que era meiga e doce. Gaia tinha um ar mais altivo e se parecia muito mais com Oksana. As duas compartilhavam os mesmos olhos azuis e cabelos loiros da mãe — assim como os meninos eram praticamente cópias de Aurélio.
— Não se preocupe, Gaia. Vou te mostrar o desenho antes de fazer.
Nerone observava as meninas com orgulho. Seu irmão havia construído uma família linda, e os seus sobrinhos eram tudo para ele.
— Cadê os meninos? — pergunta Aurélio de repente, percebendo que os seus pequenos furacões não estavam nos assentos.
— Estão na cabine do piloto com o Bernardo. — responde Oksana.
Os pequenos eram fascinados por tudo o que envolvia o trabalho da máfia e, nos últimos dias, tinham insistido em aprender a pilotar — algo totalmente fora de questão, já que ambos tinham apenas seis anos.
— Graças a Deus! — Aurélio solta um suspiro de alívio. — Não queria ter que sair procurando por eles em cada canto desse avião.
Oksana observa a expressão dele e começa a rir.
— Que tal arrumarmos mais um? Em moreno. — pergunta ela, deslizando a mão pelo peito de Aurélio.
— Sabe que eu te amo, loira, mas acho melhor esperar esses crescerem primeiro. — responde ele, arrancando uma gargalhada da esposa.
Por ele, Aurélio teria mais filhos. Mas sempre pensava em Oksana e no quanto as duas gestações haviam sido difíceis para ela. Jamais pediria mais um filho sabendo tudo o que ela havia enfrentado.
— Você é um charme, moreno. Vou me lembrar das suas palavras no futuro. — diz ela, beijando-o.
Oksana amava aquele lado de Aurélio — a forma como ele se dedicava completamente à família.
Nesse momento, a porta da cabine se abre.
— Você viu que incrível! — diz um dos meninos, empolgado.
— Eu quero um desses quando crescer! — responde o outro com a mesma animação.
— Eu quero construir um desses para vender. Vou ficar rico! — acrescenta o terceiro.
Todos observam os trigêmeos entrarem e se sentarem lado a lado — idênticos.
Às vezes, até Oksana tinha dificuldade para saber quem era quem, e seus filhos adoravam aproveitar isso para confundi-la.
Os três tinham os mesmos cabelos negros e os olhos azuis intensos de Aurélio. A pele ainda era um pouco mais clara que a do pai, mas Oksana sabia que isso mudaria com o tempo.
Vestiam calças jeans azuis e camisas brancas iguais, tornando a tarefa de diferenciá-los ainda mais difícil.
— Então, gostaram? — pergunta Oksana.
— Foi incrível, mamãe! — responde Nikolai, com os olhos brilhando.
— Quero aprender a pilotar. — diz Massimo.
— Eu quero fabricar aviões no futuro. Aposto que vou ficar mais rico que o papai. — declara Lorenzo com confiança.
— Vocês ainda são novos. Terão tempo para isso no futuro. — responde Aurélio.
— Vou pedir para a madrinha. Aposto que ela me ensina. Ela sabe de tudo. — diz Massimo, animado ao pensar em Síria.
— Quando você for maior, ela pode ensinar. Não se preocupe com isso. — responde Aurélio, sabendo que Síria adoraria a ideia.
O restante do voo foi tranquilo. As crianças dormiram a maior parte do tempo.
Mas Nerone percebia os olhos atentos de Zion observando tudo.
O menino nunca descansava.
Algumas horas depois, o jato pousava na pista da Fênix.
Nerone pega as sobrinhas nos braços enquanto Aurélio e Oksana ajudam os meninos a descer.
— Padrinho! — gritam os trigêmeos ao verem Klaus esperando na pista.
— É impressão minha ou vocês estão maiores? — diz Klaus, pegando um deles nos braços.
— Estamos comendo direito. — responde Nikolai.
— Até os legumes. — acrescenta Lorenzo, fazendo uma careta que arranca uma risada de Klaus.
— Isso é bom. A sua madrinha vai ficar feliz em saber.
Aurélio desce do jato e observa a cena.
— Impressionante como algumas coisas nunca mudam — comenta ele. — Sempre bancando a babá.
Klaus revira os olhos. Não valia a pena discutir com Aurélio — até porque provavelmente perderia.
— Uma babá muito feliz.
— É bom te ver, agente. — diz Aurélio, abraçando-o.
— Você faz falta por aqui.
— Vocês não vivem sem o meu charme. — responde Aurélio, convencido.
Nerone se aproxima e coloca as sobrinhas no chão.
— Irmão, preciso resolver algo. Te encontro na mansão.
Aurélio o encara seriamente. Sabia exatamente o que ele pretendia fazer — e não gostava nada daquilo.
Eles estavam no território de Ricardo, e ali todos respeitavam as suas regras.
— Nerone. — adverte ele.
— Será apenas uma conversa. — responde o irmão, sem qualquer expressão no rosto.
Nerone sabia que Amália havia ido visitar os amigos que ele espancara. E queria deixar algumas coisas bem claras para os dois naquele dia.
Principalmente o que aconteceria se voltassem a desrespeitar as regras.
— Tenha cuidado, garoto. — diz Klaus, já imaginando o que viria a seguir. — E não bata neles de novo, ou vai ter problemas com Ricardo.
— Será apenas uma conversa. Nada mais. — repete Nerone.
— Não demore. — pede Aurélio.
Ninguém tentou impedi-lo.
Todos sabiam que, quando um Donati tomava uma decisão, ele não parava até conseguir o que queria.