A Fênix estava um verdadeiro caos. Todos os aliados estavam chegando para o noivado de Nerone e Amália naquele fim de semana. A segurança havia sido reforçada e todos agiam com cautela.
À medida que o poder deles crescia, também aumentava o número de inimigos que acumulavam. Um encontro daquela magnitude era um prato cheio para alguém m*l-intencionado. Mas Ricardo era esperto e já havia tomado todas as medidas necessárias para garantir a segurança de todos.
E, em território de Ricardo, todos seguiam as suas ordens.
— Vou buscar o Russo. — diz Nico antes de sair da sala.
Agora eles tinham menos preocupações, já que havia uma pista de pouso na sede da Fênix. Ricardo havia comprado algumas propriedades ao redor e as incorporado ao complexo.
A qualidade da construção era impressionante.
Era praticamente uma cidade dentro de outra.
As escolas tinham sido construídas com sucesso e as primeiras crianças da Fênix já estavam estudando, o que deixava Ricardo e os outros muito mais tranquilos em relação à segurança dos filhos.
Um segundo berçário também havia sido criado para os filhos dos funcionários que trabalhavam ali. Tudo havia sido pensado para melhorar a qualidade de vida de todos.
— E as crianças? — pergunta Ricardo.
— Estão no berçário lá embaixo. É mais tranquilo. — responde Síria.
— Verdade. Escolhemos as melhores cuidadoras da creche para ficar com eles nesses dias. — acrescenta Estela com um sorriso de canto.
Ela sabia que, quando todos estavam reunidos, o trabalho das meninas dobrava.
— Os furacões? — pergunta Ricardo, também sorrindo de lado.
— Exatamente. Então deixamos algumas outras de sobreaviso. — diz Síria, rindo da forma como o chefe se referia aos seus afilhados.
Ricardo suspira.
— Espero sobreviver aos próximos dias.
— Vai sobreviver, querido. Organizamos uma rotina para todas as crianças. Elas vão ficar bem ocupadas nesses dias. — explica Estela.
Nos últimos dias, Estela e as outras mães haviam conversado bastante sobre o que fazer com os pequenos. Normalmente, as crianças ficavam juntas a maior parte do tempo, mas aquele encontro seria diferente.
Agora que estavam maiores, elas precisavam de estímulos para se aproximarem mais. Não que houvesse problemas entre elas — longe disso —, mas as mães queriam que desenvolvessem ainda mais afinidade.
— Isso é bom. Espero que dê certo. — diz Ricardo, mais tranquilo.
— Vai dar. Até porque você tem algo para resolver antes da cerimônia de noivado, e não é bom que os pequenos estejam por perto. — comenta Estela, sugestiva.
Ricardo suspira novamente.
Ele sabia exatamente do que ela estava falando.
O pai de Amália havia exigido uma conversa cara a cara com Nerone. Ricardo não podia negar aquilo — ainda mais sabendo o quanto o homem amava a própria família.
Ele só esperava que tudo se resolvesse da melhor forma possível.
— Sim, mas vai dar tudo certo. É apenas uma conversa de pai para genro. — diz ele, dando de ombros.
Estela ri.
— Até onde eu sei, esse tipo de conversa nem sempre é fácil.
Ela se lembrava perfeitamente da forma como o próprio pai havia levado Ricardo para o tatame por causa dela.
Ricardo apenas sorri.
— Se ele quiser desafiar o garoto, não vou impedir. No tatame não existe organização, querida. Apenas duas pessoas tentando resolver as suas desavenças.
— Isso não vai acontecer, então não precisam pensar demais nisso. — comenta Síria.
Nesse momento, uma voz ecoa pelo corredor.
— Mãe!
Síria se vira imediatamente, encontrando os olhos castanhos de seu filho.
O seu rosto se suaviza.
A cada dia que passava, os gêmeos se pareciam mais com Klaus. Para Síria, seus filhos eram as joias mais preciosas do mundo.
— Você não devia estar aqui, Soren. — repreende ela.
O menino apenas revira os olhos e caminha até a mãe.
Soren tinha oito anos. A sua postura era relaxada e o sorriso, sempre brincalhão — muito diferente do irmão gêmeo, Orion, que costumava ser mais sério.
Síria observa os cabelos negros do filho, cortados no mesmo estilo militar de Klaus. Mas o jeito de se vestir era bem diferente.
As calças rasgadas deixavam isso evidente.
Algo que Orion jamais usaria.
— Deixe a mamãe, Soren. Precisamos ir. — diz Orion ao entrar na sala.
A sua expressão era tranquila, como sempre. Nenhum traço de humor no rosto.
— Você também não deveria estar aqui, Orion. — diz Síria, arqueando a sobrancelha.
— Só vim buscá-lo, mamãe. Já estamos descendo para o subsolo. — responde ele, despreocupado.
— Você é chato. — reclama Soren.
— E você é desobediente. Detesto ficar correndo atrás de você. — retruca Orion.
— Então não corra. Eu não pedi para vir atrás de mim. — rebate Soren, irritado.
— Podem parar vocês dois. — diz Síria, firme. — Não quero brigas aqui. Estamos na casa do chefe. Ou se esqueceram?
Ao ouvir a menção a Ricardo, os dois meninos se viram.
O olhar do chefe estava fixo neles.
Silencioso.
Mas cheio de reprovação.
— Desculpe, chefe. — dizem os dois ao mesmo tempo.
Ricardo cruza os braços.
— Vocês sabem que, em dias de eventos, não podem ficar andando por aqui. É perigoso.
Soren respira fundo antes de falar:
— Eu só queria perguntar para a mamãe se podíamos ficar em casa dessa vez. Não quero ficar com os pequenos. Já sou grande.
O olhar determinado do menino quase fazia esquecer que ele m*l passava de um metro de altura.
— Esqueçam isso. — diz Síria imediatamente. — Não vou deixar vocês dois sozinhos em casa.
— Mas, mãe...
— Chega.
Nesse momento, Klaus se aproxima.
— Não tem “mas”. Obedeçam à mãe de vocês. E, se eu souber que andaram aprontando, a conversa vai ser outra. Entenderam?
— Entendemos, pai. — responde Soren, abatido.
— Eu vou ficar de olho nele, papai. — diz Orion, segurando a mão do irmão e praticamente o arrastando em direção aos elevadores.
Assim que os dois saem, Síria suspira.
— Sabia que você fica muito sexy nesse papel de pai?
— Pequena! — choraminga Klaus.
Ele sabia exatamente onde aquela conversa terminaria.
Infelizmente, naquele momento, não tinham tempo para isso.
Ricardo observa a expressão frustrada de Klaus e cai na risada.
O ex-agente da lei perdia completamente a postura sempre que o assunto era sua família.