Capítulo 67

1082 Words
Nerone estava no jato de volta para a Itália, um sorriso nos lábios ao ver Amália dormindo tranquilamente em seus braços. Podia ser bobo da sua parte não querer ficar longe dela, já que o casamento seria em alguns dias, mas ele não queria. Nerone tinha planos, muitos, e em todos Amália fazia parte. Era bom ter aquela parte vazia do seu peito preenchida; ele se sentia em paz. — Você me dá calafrios rindo. — diz Calebe, olhando para Nerone. Aurélio havia pedido que ele acompanhasse Nerone de volta, então ele havia ido até a Fênix para buscar o garoto, mas agora Calebe se sentia mais um intruso no momento dele com Amália. — Não devia ter vindo. O irmão se preocupa à toa. — diz ele em voz baixa, ignorando as palavras de Calebe. — Sabe que ele jamais vai fazer isso. Sim, Nerone sabia. Aurélio tinha uma veia muito protetora e, depois de tudo o que Nerone tinha passado, ele cuidava de cada passo seu. — Ele não pode cuidar de mim para sempre, Calebe. — responde ele com o olhar distante, a sua mão acariciando lentamente as costas de Amália em seus braços. — Mas ele vai tentar. Isso é coisa de irmão. — diz, dando de ombros. Nerone era grato pelo cuidado do irmão; ele não sabia como teria sido sua vida sem a presença de Aurélio. — Lorel ligou. — diz Calebe após uma pausa, e, pela forma como ele encarava Nerone, a conversa não tinha sido boa. — O que ele queria? — Se desculpar por ter sido inconveniente. Disse que não está levando em consideração o soco que você deu nele. — Calebe tinha uma sobrancelha arqueada enquanto olhava para Nerone. Conhecia o menino bem e sabia que ele jamais socaria alguém sem um motivo; então, a única coisa que lhe vinha à mente era que Lorel devia tê-lo provocado de alguma forma. O rosto de Nerone se fecha. Ele não queria ter que lidar com Lorel, mas precisava, antes que o homem ficasse ainda mais audacioso. — O que ele fez, garoto? — pergunta Calebe, vendo a forma como o rosto de Nerone escurecia. — Perguntou sobre minha mãe. — responde Nerone com o maxilar trincado. Os olhos de Calebe quase saltam do rosto com aquela resposta. O assunto sobre a mãe de Nerone era um grande tabu; ninguém falava sobre isso, e aqueles que insistiam eram severamente punidos por Dom Aurélio. Ao que parecia, Lorel não tinha tanto amor à vida quanto ele pensava. — Seu irmão vai arrancar o couro dele, e faço questão de amolar a faca. — diz Calebe, leal como um cão. — Não se preocupe, Calebe, eu vou resolver essa questão pessoalmente. — responde ele. O ódio de Nerone apenas aumentava a cada vez que o nome de Lorel era pronunciado. Nerone amava a mãe mais profundamente do que poderia imaginar. As suas memórias já quase não se lembravam mais do rosto dela, mas, em seu coração, ela ocupava um espaço enorme. Após ser resgatado por Aurélio, Nerone não pensou em pesquisar mais sobre a mãe. Ele estava perdido em sua maré de vingança, em ficar mais forte e conseguir superar os traumas que o dominavam. A doutora Simone tinha tentado, insistia sempre que ele precisava de terapia para lidar com a raiva e os pesadelos que o atormentavam em algumas noites, mas ele não faria aquilo. Preferia se acalmar matando; então, nos dias em que a sua raiva estava fora de controle, ele simplesmente sumia em Babilônia, passava vários dias fazendo o que fazia de melhor: matar. Normalmente, Aurélio não interferia quando ele estava assim; era o combinado entre eles. Seytan era para expulsar seus demônios e o manter no controle, e assim ele estava fazendo. — Não deixe que ele o tire do sério, garoto. — diz Calebe, mais tranquilo. Nerone observa o soldado de confiança do irmão com admiração. Calebe tinha mudado muito desde que se tornara pai; a sua família era o bem mais precioso que ele tinha, e a sua pequena era a pérola que fazia seus olhos se iluminarem. Quem o via nos almoços em família não imaginava o quanto as mãos dele eram sujas de sangue. — Ele não vai. — responde ele. Nerone pega o seu telefone e olha a tela; havia várias mensagens do seu irmão e algumas dos seus sobrinhos também, o que o deixa com o cabelo em pé. — Quem está com os furacões? — pergunta Nerone. — Acho que as babás. Como essa viagem era rápida, não achamos que devíamos chamar socorro. — diz Calebe, rindo, mas, quando olha novamente para Nerone, percebe que o garoto não ri. Nerone pega o telefone e vira a tela para Calebe. — Eu chamaria socorro se fosse você. Calebe observa a imagem na tela com os olhos arregalados. Nela, os três estavam em frente a uma fogueira, enquanto as babás olhavam de forma desesperada. — Esses meninos vão me deixar louco — diz ele, passando a mão pelos cabelos. — E olha que nem sou pai deles. — Deixe, eu falo com eles. — diz Nerone com um sorriso de canto ao ver o desespero de Calebe. Nerone pega o telefone e faz uma chamada de vídeo com os sobrinhos. — Oi, tio Nerone! — diz Massimo com um sorriso no rosto. — Massimo, eu chego em meia hora e espero encontrar tudo no lugar. — diz com uma voz de aço, encarando o sobrinho. — É só um churrasco, tio. — diz, dando de ombros. — Sabe que isso está proibido quando não estivermos em casa, e não me lembro de termos nos tornado canibais. — diz, com a sobrancelha arqueada. — Só estávamos brincando, tio, já vou soltar ele. — diz com uma carinha triste. — Espero encontrar todos de banho tomado e na cama quando eu chegar. — Você está ficando chato igual à tia Sofia. — responde ele, chateado. — Vou contar isso para ela, aí você vai ver o problema que vai arrumar. — NÃO!!!! — diz ele em desespero. — Vou arrumar tudo, tio, não precisa falar nada para a tia Sofia. — Massimo... — Tenho que ir, tio, ou não vou conseguir arrumar tudo. Tchau! — diz, desligando o telefone. — Você descobriu o ponto fraco deles. — diz Calebe, rindo. — Com esses três, temos que usar todas as armas que temos, Calebe. — diz Nerone, massageando o olho.
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