Capítulo 40

1047 Words
A viagem até a mansão de Lorel foi rápida, e Nerone tinha pressa de resolver o problema dele, queria retornar para casa e ver os seus sobrinhos, e principalmente Zion, ele se preocupava com o garoto e desejava saber se ele estava bem. Assim que desce do carro Kallil vem em sua direção, e pela forma que o encarava ele percebia que o homem ainda não tinha superado o seu problema com ele. Mas ao menos não parecia o ver como um inimigo. — Pensei que demoraria mais — a voz de Lorel ecoou antes mesmo que Nerone o visse. Encostado próximo a uma das colunas de sustentação, ele mantinha a postura relaxada, mas os olhos estavam atentos a cada movimento que Nerone fazia. Nerone estava tão distraído que não tinha visto Lorel naquele canto. Nerone fechou a porta do carro com calma, e caminha até ele. — Eu também — respondeu, seco, mas sem hostilidade. Nerone o encara esperando que ele falasse o que desejavam dele, não estava ali para perder tempo. — Sua última missão me deixou muito satisfeito — continuou Lorel. — os meus homens ficaram impressionados, e eu também. — Do que precisa Lorel, vá direto ao ponto. — Diz Nerone não gostando daquela enrolação. Lorel observa Nerone com atenção, a forma que o único olho do rapaz o encarava, sem nenhum medo ao temor, como se a presença dele não fosse nada. — Sempre direto, gosto disso em você. — diz ele se aproximando. — Conversei com seu irmão, e ele disse que você poderia me ajudar com uma situação. — Basta me dizer o que precisa que farei, uma ordem dada do irmão, é uma ordem cumprida. — diz ele. Nerone era leal a família, e principalmente ao seu irmão que havia feito de tudo para o resgatar, então faria qualquer coisa por ele. Lorel se afastou da coluna, caminhando lentamente pelo hangar enquanto fazia um gesto para que Nerone o acompanhasse. — Tenho uma operação em andamento. Transporte sensível. Informação demais envolvida, dinheiro demais em jogo… e homens demais achando que sabem o que estão fazendo. — E não sabem — completou Nerone. Ele já tinha cansado de ver aquilo. Só por que você faz um serviço por anos não significa que ele esta sendo bem feito, mas as pessoas que trabalhavam a mais tempo no submundo não pensava assim. — Não sabem — confirmou Lorel, sem hesitar. — E é por isso que esta aqui, desejo que seja o conselheiro deles por alguns dias, apenas para ajudar que essa mercadoria chegue sem problemas. Eles pararam diante de uma mesa improvisada, onde mapas e fotografias estavam espalhados. Rotas, marcações, pontos estratégicos. Uma bagunça… organizada. — Quero evitar um erro — disse Lorel, apoiando as mãos na mesa. — E você já provou que sabe enxergar o erro antes dele acontecer. Nerone observou o material em silêncio. Os seus olhos se moviam rapidamente, conectando pontos, descartando possibilidades, identificando padrões. Demorou poucos segundos até que ele identificasse os erros da equipe de Lorel. — Seu problema não está aqui — disse, apontando para as rotas principais. — Está aqui. O dedo deslizou até um ponto aparentemente secundário. Lorel franziu o cenho. — Um desvio? — Um convite — corrigiu Nerone. — Se eu quisesse interceptar isso… não atacaria o caminho óbvio. Eu esperaria aqui. Menos proteção, mais previsibilidade. Seria melhor se você colocasse um negócio nessa área assim com seguiria a controlar e usar para o que você precisa. Lorel inclinou levemente a cabeça, analisando melhor o ponto indicado. — Emboscada. — diz ele mais para si mesmo. — Você está certo, seremos um alvo fácil nessa área. — Sim — respondeu Nerone. — A menos que você transforme isso em uma armadilha para quem acha que está no controle. E ali estava outra ideia que ele não havia pensado, e que ele sabia que seus homens também não tinham imaginado. Eles tinham recursos e pessoas treinadas, mas a única pessoa capaz de fazer o que Nerone fazia era Kallil, e Tess, e ambos já estavam muito carregados com outros serviços, então ter Nerone para dar uma ajuda aos seus soldados era a melhor escolha naquele momento. — Eu sabia que chamar você seria a decisão certa. Nerone manteve a expressão neutra, mas seus olhos ainda estavam fixos nos mapas enquanto analisava outros locais. — Seus homens não estão prontos para improvisar — continuou ele. — Se algo sair do planejado, eles vão travar… ou pior, reagir errado. — Você está sugerindo o quê? Nerone ergueu o olhar. — Que você mude o plano… sem avisar ninguém. E que de um treinamento adequado aos seus homens. Kallil observava aquela conversa surpresa que Nerone tenha descoberto um ponto frágil na rota deles que eles não tinham percebido antes. Mas aquilo não o surpreendia, depois que Nerone tinha ido embora ele havia pesquisado mais sobre ele, e tinha descoberto que Nerone tinha feito treinamento com o esquadrão zero da Fênix, um esquadrão tão letal que apenas algumas pessoas os conhecia, para os outros eles eram apenas uma lenda, os fantasmas da organização. — Vamos cuidar disso Nerone, mas vamos fazer isso em casa é melhor. — diz Lorel. Nerone assente e o segue em silêncio até outro carro. Rapidamente eles chegam até a mansão e não foi nenhuma surpresa para Nerone ver Tess correndo em sua direção com um copa na não. — Oi Nerone! — Diz ela correndo até ele. Em sua pressa Tess se desequilibra em um dos degraus da escada e o conteúdo do seu copo é arremessado em direção a Nerone se espalhando por toda a sua camisa. — Meus Deus! — Diz ela com a mão na boca. — Me desculpe. Nerone apenas suspira, sem dar importância aquilo, ele apenas puxa a sua camisa a tirando. — Não tem problema, foi um acidente. — Diz ele dando de ombros. — Tenha mais cuidado Tess. — Diz Kallil. — Me dé sua camisa Nerone, vou pedir para alguém lavar e trazer uma limpa para você. — Diz Lorel. Nerone entrega a camisa a ele e agradece, mas quando ele se vira para subir Lorel paralisa ao ver a marca nas costas de Nerone. Aquilo não podia ser real, não podia.
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