Capítulo 52

956 Words
Nerone estava frustrado com o que tinha acontecido. Ele sabia que Amália o havia entendido errado segundos antes. Ao encarar o rosto sorridente de Tess, sentiu a raiva crescer — ela ainda estava agarrada a ele como um carrapato, o que o deixava profundamente desconfortável. — Eu vou te matar. — disse, com o maxilar trincado de raiva. Antes que Tess pudesse reagir, Nerone ergueu a mão e apertou o seu pescoço. Os olhos dela se arregalaram de pavor ao ver o quão furioso ele estava. — Eu te avisei — disse ele, apertando ainda mais —, mas parece que você é surda. Tess não sabia como reagir. Nunca o tinha visto daquela forma, tão fora de si. Tentou afastar a mão dele, mas não conseguiu. Nerone era muito mais forte; a sua resistência não fazia diferença alguma. — Meu Deus! — gritou Kalil à distância. Ele deixou o presente que tinha nos braços cair no chão e correu na direção dos dois. Porém, ao se aproximar, foi impedido por alguns soldados de Álvaro. — Solta ela, Nerone! — disse, desesperado, sendo contido. — Eu avisei ela. — respondeu, sem desviar os olhos de Tess, que já estava vermelha pela falta de ar. — Ignore, foi só uma brincadeira de mau gosto — disse Kalil, tentando se acalmar. Sabia que perder o controle só pioraria a situação. — Deixa ela comigo, irmão. — disse Félix, aproximando-se. Ele observava Tess com interesse, apreciando a mulher à sua frente, mas seu verdadeiro objetivo era evitar uma tragédia. Nerone desviou o olhar de Tess e encarou Félix. Percebeu o brilho perigoso nos olhos dele ao observá-la. Por mais que quisesse acabar com aquilo de uma vez, aquele não era o lugar. Com relutância, soltou Tess, empurrando-a para os braços de Félix. — Me tragam algo para lavar as mãos. Não quero o cheiro dela em mim. — ordenou. Um soldado saiu apressado. — Olá, princesa... não quer dar um beijo no seu príncipe encantado? — provocou Félix, afastando uma mecha de cabelo do rosto de Tess. — Vai se f***r. — respondeu ela, tentando se soltar. — Não são essas palavras que quero ouvir dessa boca linda. — disse ele, antes de se abaixar e morder levemente os lábios dela. Tess se debateu, e Félix a soltou, rindo. — Gosto de mulheres espirituosas. O soldado retornou com uma bacia de água. Nerone lavou as mãos com calma, secando-as em seguida. Os seus olhos permaneciam sombrios, fixos em Tess. — Você não devia fazer isso com ela. — disse Kalil, ainda sendo contido. — Soltem ele. — ordenou Nerone. Assim que foi solto, Kalil m*l teve tempo de reagir: Nerone avançou e lhe deu um soco no estômago, derrubando-o no chão. — O seu desgraçado... — gemeu Kalil, com dor. — Não se meta nos meus assuntos, Kalil. Eu cumpro a minha palavra — e lembro muito bem de ter dito que a mataria se tocasse em mim. Você tem sorte de o Félix ter se interessado. Caso contrário, ela sairia daqui dentro de um saco. Nerone não demonstrava qualquer preocupação com o destino de Tess. Para ele, ela não passava de um incômodo. — Você... tem um cheiro gostoso, gatinho... — provocou Tess, com um sorriso de canto. — Você... — Pelo visto, vou ter que controlar essa sua língua. — interrompeu Félix, posicionando-se à frente dela. — Você é minha princesa. Não pode olhar para outros homens. Ele a segurou pelo braço e começou a arrastá-la para fora do salão. — Me solta! Ficou louco?! — gritou ela. — Vou te ensinar a respeitar o seu homem. — respondeu ele friamente. — Faça alguma coisa, Nerone! Ele não pode tocar nela! — implorou Kalil. — Meu filho gostou da moça. Ele fica com ela. — disse Álvaro, com olhos sombrios. Kalil abaixou a cabeça, o maxilar travado de raiva. Não podia contrariar Cobra — Lorel não permitiria. — Eu... — Não se meta em assuntos de adultos, rapaz. Isso não é para você. — disse Álvaro, dando um leve tapinha em suas costas antes de se afastar. Nerone nem olhou para Kalil. Já estava seguindo pelo corredor, atrás de Amália. Precisava desfazer aquele m*l-entendido com sua tampinha. Vasculhou o corredor, mas não a encontrou. O desespero começou a apertar o seu peito. — Ela está na sala de descanso com as outras. — disse Aurélio. — Boa sorte. Havia um sorriso contido em seu rosto. Nerone apenas revirou os olhos. Ele correu até a sala. Ao abrir a porta, encontrou as mulheres da Fênix ao redor de Amália. — Me deixem falar com ela. — pediu. — Seja gentil. — disse Alicia, passando por ele com as outras. Todas sabiam o quanto Nerone amava Amália — e que ele jamais a trairia. — Eu posso explicar, tampinha... — disse ele, dando um passo hesitante. — Essa é exatamente a coisa errada a se dizer, Nerone. — respondeu ela, virando-se. Ao ver os olhos vermelhos de Amália, ele avançou até ela, preocupado. Parou à sua frente e segurou o seu rosto com cuidado. — Você estava chorando... por quê? — Por sua causa! — disse ela, tentando empurrá-lo, sem sucesso. — Você não devia chorar por mim, tampinha. Eu não mereço as suas lágrimas. — disse ele, antes de cobrir o seu rosto com pequenos beijos. — Por que deixou aquela mulher te tocar, Nerone? — questionou ela, furiosa. — Eu devia arrancar o seu couro por isso. A intensidade no olhar dela fez o peito de Nerone aquecer. Por mais que Amália tentasse negar, ele sabia — ela o amava. E aquela fúria só fazia com que ele desejasse mantê-la ainda mais perto, protegida em seus braços.
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