Aquela fúria nos olhos dela, misturada ao brilho úmido das lágrimas, o atingia mais forte do que qualquer ameaça. Ele encostou a testa na dela por um breve segundo, respirando fundo, como se precisasse se conter. Amália estava desejável demais daquela forma.
— Eu não deixei, Amália... — murmurou, a voz mais baixa, carregada. — Ela se jogou em mim. E, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, você já tinha ido embora.
Ela desviou o olhar, o peito subindo e descendo rápido.
— Eu vi, Nerone. — disse, a voz falhando por um instante. — Vi você parado... deixando.
Amália corava ao colocar aquilo em palavras. Recusava-se a deixar que Nerone visse mais do que ela queria sobre os seus sentimentos, até porque nem ela mesma os entendia direito.
— Eu estava travado, tentando não fazer algo pior. — respondeu, agora firme. — Porque, se eu tivesse reagido como queria, teria matado ela ali mesmo.
Amália voltou os olhos para ele, surpresa. Mas não havia nada no olhar de Nerone além da verdade do que sentia.
— E, pelo que você fez depois... talvez devesse ter feito mesmo. — retrucou, cruzando os braços, ainda na defensiva.
Um pequeno sorriso torto apareceu nos lábios de Nerone.
— Você está com ciúmes.
— Eu não estou! — rebateu ela na mesma hora, mas a rapidez só a entregou ainda mais.
Ele aproximou o rosto, perigosamente perto.
— Está, sim. — sussurrou. — E eu gosto disso.
Amália empurrou o peito dele com força dessa vez, conseguindo afastá-lo um passo.
— Não brinca com isso, Nerone! — disse, irritada. — Você não entende...
— Então me explica. — cortou ele, sério de repente.
— Você fica muito fofa quando está com ciúmes, Amália. — disse ele, aproximando-se e envolvendo a cintura dela com os braços.
Amália sentia o peito firme de Nerone contra si, o coração disparando com a sensação dos braços dele em seu corpo. Ela podia ver que ele tinha mudado, bem mais do que queria admitir. Não era mais um menino t**o — era um homem feito, que sabia o que queria.
— Eu... — começou ela, mas, quando Nerone deslizou os lábios por seu pescoço, perdeu-se no que dizia. O perfume dele a embriagava, a atraía, e, sem conseguir se conter, se pegou inalando profundamente.
— Eu sou seu, Amália. — disse, sem rodeios. — Desde o momento em que você decidiu me enfrentar, me xingar e me irritar sem medo nenhum.
Um canto do lábio dela tremeu, tentando não ceder.
— Eu... eu não fiz isso. — disse ela, sem conseguir controlar a própria língua.
— Não sou o mais bonito, tampinha. — respondeu ele, com um meio sorriso, erguendo o rosto dela para fitá-la. — Sou perigoso.
Um arrepio subiu pela espinha de Amália. É claro que ela sabia que ele era perigoso. Via isso no olhar dele, na forma como se impunha e nas palavras possessivas que sempre lhe dizia.
— Mas continua sendo um i****a. — murmurou.
— Estou curioso para saber se vai pensar assim quando nos casarmos. — retrucou ele, inclinando a cabeça.
Ela abriu a boca para responder, mas não teve tempo.
Nerone a puxou pela nuca e a beijou. A mão dele pressionava firme, não lhe dando escolha a não ser receber aquele beijo agressivo e cheio de desejo.
O beijo veio intenso, carregado de tudo o que tinha ficado preso entre os dois — raiva, medo, ciúmes... e algo muito mais perigoso do que qualquer um deles queria admitir. Um sentimento que fazia Amália tremer nos braços de Nerone, desejando mais do que ele lhe dava.
Amália agarrou a camisa dele com força, o corpo colando-se ainda mais ao dele, gemendo contra a sua boca. Estava em chamas, e, a cada toque dele, se pressionava mais, buscando alívio para aquele tormento. Mas, quando sentiu a excitação de Nerone contra si, assustou-se e se afastou.
— Isso não resolve tudo. — disse, tentando disfarçar o que havia sentido.
— Não. — concordou ele, passando o polegar pelo canto da boca dela. — Mas é um bom começo. E eu sei que você gostou.
Amália não respondeu, apenas deu um passo para trás, mas Nerone envolveu a sua cintura, puxando-a novamente para si.
— Sente isso, tampinha — disse ele, roçando-se nela, deixando claro o quanto a desejava. — É apenas uma pequena parte do meu desejo por você... e você não vai poder fugir dele por muito tempo.
— Me solta, Nerone! — disse ela, tentando se afastar.
— Não. Você é minha, querida, e precisa se acostumar a me ver dessa forma. — disse ele, pegando a mão dela.
Amália se assustou com o contato e tentou recuar, mas ele não permitiu.
Nerone guiou a mão dela sobre a sua, fazendo-a perceber a sua intenção por cima da calça. Ele via no rosto dela a vergonha lutando contra a curiosidade.
— Sou seu, tampinha. E o meu corpo também te pertence — disse, com a voz mais rouca pelo desejo. — Nenhuma mulher jamais chegará perto de mim. Apenas você.
Ele soltou a mão dela, e, sem perceber, Amália continuou o toque, fascinada pela sensação, pela forma como ele reagia sob os seus dedos. Era uma descoberta que, contra a sua vontade, ela estava gostando de fazer.
— Se quiser, posso tirar as calças. — disse ele, com um sorriso de canto.
Ela o encarou por alguns segundos... e então revirou os olhos, retirando a mão.
— Você ainda vai me pagar por aquilo.
O sorriso de Nerone voltou, lento e provocador.
— Pode cobrar. Eu deixo.
Amália cruzou os braços novamente, mas, dessa vez, havia um leve brilho travesso em seu olhar.
— Não duvide de mim.
— Nunca duvido de você. — respondeu ele, sincero.
E, pela primeira vez desde que entraram naquela sala, o clima entre os dois deixou de ser uma guerra.