Capítulo 16

1023 Words
A Fênix assistia de longe enquanto Nerone e Amália caminhavam pelo salão, cumprimentando os convidados como se nada tivesse acontecido antes. — O garoto tem peito, preciso reconhecer isso — disse Vito, olhando para Nerone com orgulho. — Ele nunca foi como os outros. Acho que é por isso que está tão tranquilo — rebateu Klaus. — Uma coisa é certa: quando esse menino coloca algo na cabeça, ninguém tira — continuou Charles. — Ele cresceu muito nos últimos anos — comentou Ricardo, com o olhar distante ao dizer aquilo. Ele tinha sido testemunha do crescimento de Nerone, e ver o garoto feliz era a melhor recompensa que poderia ter. — Estamos ficando velhos — disse Max. — Você está ficando velho. Eu já sou — respondeu Vito, rindo da cara de Max. — Um velho bem safadinho — disse Nico, rindo ao se lembrar de que Vito era casado com Mei. — Olha o respeito. É da minha mãe que estão falando — protestou Hideo. — Foi m*l, j**a. Já tinha até esquecido que você estava aqui — respondeu Nico, sem graça. — Mudando de assunto, vai começar outra temporada de caça — disse Ricardo, com os olhos brilhando. Nos últimos anos ele tinha melhorado o local da caça deles. Agora era praticamente uma mansão, com enorme capacidade para pessoas e várias áreas recreativas para as crianças. — Tô dentro. Preciso recuperar o meu dinheiro perdido — disse Max. — Você sabe que vai perder novamente, não é mesmo? — respondeu Klaus, rindo. Nos últimos anos, Síria e Nerone dividiam o prêmio. — Bem que poderíamos cortar esses dois este ano — disse Nico. Síria se aproxima por trás dele e lhe dá um tapa na cabeça. — Ei! — Os anos não te ajudaram em nada, senhor Nico. Continua o mesmo de sempre — respondeu ela, caminhando até Klaus. — O que posso dizer? Alicia ama esse meu lado — disse ele, convencido. — Quero só ver quando for o filho dele e da menina de Charles nesse salão — comentou Yuri. Charles fuzilou Nico com o olhar enquanto praguejava. A cada dia que passava, ele percebia o interesse da filha pelo pequeno Zeck. Aos olhos de Olivia, ele era incrível, e a menina não ficava longe dele nem por um dia. — Você sabe o que a aguarda, Nico — disse Charles, com um olhar sério. — Sei. Assim como sei que, se Zeck a amar, ele a esperará pelo tempo que for — respondeu Nico, também sério. Charles apenas assentiu. Aquela história estava nas mãos do destino, e eles não tinham controle sobre isso. A festa continuou animada e, à medida que as horas passaram, apenas os membros da Fênix permaneceram no salão, aproveitando a companhia uns dos outros. — Feliz, Amália? — perguntou Mel quando ela se sentou entre elas. — Nem um pouco — respondeu Amália, soltando um bufo que as fez rir. — Ele é incrível, Amália. Dê uma chance a ele — disse Oksana. — Você tem uma escolha, Amália: ser infeliz nesse relacionamento ou dar uma chance a ele e ser feliz. Nerone passou por muita coisa ao longo da vida. Ele não é como os outros meninos da idade dele — disse Síria. Amália conhecia parte da história de Nerone. Sabia que ele tinha sido sequestrado quando criança e que fazia poucos anos que havia sido libertado e voltado para a família. O resto era um completo mistério para ela. Na Fênix, ninguém compartilhava as suas histórias facilmente — você precisava merecer ouvi-las, e quando isso acontecia, a própria pessoa as contava. — Ela está certa, filha. Confio no menino — disse a mãe dela. — Não precisa se preocupar, senhora Luz. Eu e Aurélio o educamos bem, e ele sabe que, se magoar Amália, eu e as outras vamos chutar o traseiro dele — disse Oksana, fazendo a mulher sorrir. Não era segredo que a Fênix não tolerava agressões contra mulheres, nem mesmo que mulheres agredissem seus companheiros. A lei era igual para todos, sem distinção, e a punição também. — Eu confio em vocês, meninas. E no chefe também — disse a senhora, de forma gentil. Elas conversavam tranquilamente quando um barulho foi ouvido. Rapidamente assumiram posições de defesa, sacando suas armas. Porém, quando os desconhecidos entraram, relaxaram imediatamente. — Essa festa está meio caída — comentou Lorenzo, examinando os arredores. — Acho que esses convidados são seus, Oksana — disse Síria, rindo ao ver os seus afilhados e as outras crianças entrando no salão. — VOCÊS ESTÃO FERRADOS! — gritou Oksana, fazendo-os se encolherem nos lugares. — Eu avisei — disse Zion. — Vão ficar de castigo até ficarem velhos usando muletas! — gritou Aurélio, aproximando-se furioso. — Aí não vamos estar de castigo, papai. Você vai estar morto — respondeu Nikolai, para a frustração de Aurélio. — O que estão fazendo aqui? Sabem que este evento não é para vocês — disse Oksana. — Queríamos conhecer a nossa nova tia. Não pode nos proibir de conhecer alguém da família — disse Massimo. — O mano está certo. Vocês sempre dizem que a família é tudo — completou Lorenzo. Todos observavam a conversa dos pequenos de boca aberta. Era cômico ver a forma como eles conseguiam levar Aurélio e Oksana na conversa. — Vocês conhecem as regras. Não podem sair sem a supervisão de um adulto e a permissão dos pais — disse Yuri, aproximando-se dos sobrinhos. — Sabemos, tio Yuri. Mas queríamos ver a nova tia — disse Nikolai, animado. — Então venham — disse Oksana. Os pequenos correram até ela, empolgados. Ela os conduziu até onde Amália estava. — Esta é Amália, a nova tia de vocês — disse Oksana, com um sorriso. Os pequenos olharam atentamente para Amália, examinando-a com curiosidade. Então abriram um largo sorriso. — A tia é bonita. Não é à toa que o tio Nerone não desistiu — disse Lorenzo, fazendo todos rirem. Amália relaxou em seu lugar ao ouvir as palavras das crianças. — Bem-vinda, tia Amália — disse Nikolai, entregando-lhe uma flor que havia arrancado de um dos arranjos do salão.
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