As crianças se aproximaram de Amália com animação.
— Achei que fosse outra pessoa, é só a Amália — respondeu Soren, filho de Síria e Klaus.
— E vocês não deviam estar aqui — disse Klaus, aproximando-se.
— É só o papai, estamos salvos — falou Soren ao ver o pai.
— É mesmo — completou Síria, parada atrás deles.
Eles levaram um susto e correram em direção a Klaus, agarrando-se às suas pernas.
— Salve-nos, papai — pediu um deles.
— Nem pensar. Acertem as contas com a mãe de vocês — disse ele, achando a cena divertida.
— Ela é assustadora quando está brava — comentou Orion.
— Quem trouxe vocês? — perguntou Síria.
— O carro da Fênix, ele não precisa de piloto — respondeu Soren, dando de ombros.
— Hackearam o meu protótipo! — exclamou Alicia, irritada.
— Pegamos emprestado, tia Alicia, mas ele está como você deixou — retrucou Lorenzo, convicto.
— E as outras crianças?
— Estão na mansão, só nós viemos — disse Massimo.
Apesar de pequenos, sabiam que não podiam arrastar os menores para as aventuras; por isso haviam ido apenas eles.
Ricardo aproximou-se e sinalizou para que um soldado os levasse de volta.
— Podemos ficar? — perguntou Nikolai, animado.
— Deixar vocês ficar seria premiar o mau comportamento, então não — respondeu Aurélio.
Mesmo contrariado, Nikolai seguiu os soldados até o carro. Todos relaxaram depois que as crianças foram embora.
— Vou acabar com cabelos brancos antes da hora — disse ela, jogando-se em uma cadeira.
— Calma, loira, essa fase vai passar — falou Aurélio, aproximando-se e abraçando-a por trás.
— Sim, vai é piorar — comentou Yuri, rindo do desespero deles.
Yuri já tivera apuros com os sobrinhos e sabia que os pequenos podiam ser terríveis quando queriam; o desespero da irmã, portanto, era justificado.
— Acho que vou deixá-los com você um tempinho — disse ela, sorrindo.
— Nem pensar. Tenho muitas coisas para resolver e não poderei passar tempo com eles — respondeu ele rapidamente.
— Mas a Sofia pode — sugeriu Yuri.
— Vai mesmo querer deixá-los com a Sofia? — perguntou ele, com a sobrancelha arqueada.
Sofia conseguia manter os pequenos furacões na linha; com ela, eles se comportavam. Em parte, isso se devia à sua postura firme: os meninos não ousavam desafiá-la.
— Prefiro que seja ela. Você é muito fraco com eles — disse ela, bufando.
Os outros riram da expressão de Yuri; sabiam que ele tinha pulso fraco com os sobrinhos, e quando os pequenos aprontavam, sobrava para Sofia arrumar.
— Eles estão crescendo, isso é fato — observou Klaus, com calma.
Klaus e Síria tinham bom controle sobre os filhos; os pequenos sabiam bem até onde podiam ir.
— Nem me fale — murmurou Xavier, aproximando-se com Mel ao seu lado.
— Vocês sofrem por antecipação. Deixem que eles sigam o seu curso; como as águas de um rio, vão ver que tudo termina bem — disse Mei.
— Sábia como sempre, meu amor — comentou Vito, beijando a bochecha dela, os olhos transbordando carinho.
— Parem com esse assunto. Hoje a noite é da Amália e do Nerone — declarou Mel, animada. — Vamos dançar, meninas!
Mel e as outras arrastaram Amália para a pista; o salão encheu-se com o riso delas, enquanto dançavam sob os olhares atentos dos homens.
— Vocês têm sorte de serem da família; se não, já teria arrancado os seus olhos — disse Vito, sorrindo de canto e observando Mei dançar.
— Acho que essa é a vantagem de se estar em família, Vito. Cada um de nós só tem olhos para nossa própria mulher e jamais olharia com malícia para outra — respondeu Charles, com o olhar fixo em Raira.
O tempo havia passado, e os homens do salão tornaram-se mais duros e protetores, mas o respeito entre eles prevalecia; era uma marca invisível da aliança que possuíam, uma aliança de proteção e cuidado.
As horas passaram, e a madrugada chegou como sinal de que, por mais agradável que fosse o evento, ele teria de chegar ao fim.
Nerone observou Amália com cuidado naquela noite; cada pequeno movimento dela ficou gravado em sua memória. Apesar das palavras iniciais, ela havia relaxado e aproveitado a noite com as outras mulheres, e Nerone era grato pelo acolhimento que deram à sua futura esposa.
Os seus olhos percorreram o salão novamente e encontraram Amália dormindo em um dos sofás: ela havia tirado a sandália e repousava com os pés sobre uma almofada, esticada no pequeno sofá. Um sorriso curvou os lábios de Nerone ao ver que a sua noiva, antes tão feroz, parecia um anjo dormindo.
Ele se aproximou em passos lentos, olhos fixos na figura adormecida. Parou diante de Amália e, com cuidado, afastou uma mexa de cabelo do rosto dela; ela dormia profundamente e nem percebeu a sua chegada.
— A noite foi longa para ela — comentou Luz, ao ver o cuidado de Nerone com a filha.
— Posso levá-la para casa, dona Luz? — perguntou ele, virando-se para a mãe dela.
— Pode, querido. Sabe onde moramos — respondeu ela, tranquila.
Luz viu os olhos do rapaz brilhar ao olhar para a filha; por mais que se provocassem na maior parte do tempo, ela sabia que se dariam bem no futuro. Pela forma como ele olhava para a filha, duvidava que ele a deixasse ir.