— Acho que estamos ficando velhos — dizia Charles, enquanto bebia um pouco da sua tequila.
— Você está velho, eu tô inteiro — diz Nico, cutucando-o.
— Acho que o tempo passou para todos, sem exceção — diz Vito, aproximando-se. — E eu já sou avô de novo.
Todos começam a rir dele, mas sabiam que, apesar das suas palavras, Vito amava profundamente os seus netos.
— Mei deve estar muito feliz — diz Ricardo.
— Ela está. Vai passar um tempo com Sayuri, quer cuidar pessoalmente, e, segundo as suas palavras, ensinar Hideo a ser um bom marido. — A forma como os olhos de Vito se reviram faz todos explodirem de rir. O homem era apaixonado por Mei e não suportava ficar longe dela.
— Estou curioso para conhecer o novo m****o da família — diz Charles.
— Vai ser em breve, junto com o batizado — diz Vito.
— Que tal uma aposta? — pergunta Aurélio, com os olhos brilhando.
— Não ando tendo muita sorte nessas apostas — diz Nico, bicudo.
— Isso porque você é pão-duro — diz Aurélio.
— Eu aceito a aposta — diz Álvaro, aproximando-se.
Todos olham com surpresa para Álvaro, não esperando que ele estivesse interessado em algo tão trivial quanto uma aposta.
— O que foi? Não posso participar? — pergunta ele, com a sobrancelha arqueada.
Ricardo suspira diante daquilo. Ele precisava ser direto com Álvaro, deixar claro que aquele grupo de homens tinha mais do que um juramento de irmandade: eles tinham um vínculo de sangue e alma que protegeriam a qualquer custo.
— Vou ser direto, Álvaro. As apostas para padrinho são sagradas na Fênix, e levamos muito a sério a proteção de nossas crianças — diz Ricardo, com a sobrancelha arqueada. — Você não faz parte da Fênix e não pode participar da aposta.
Um sorriso curva os lábios de Álvaro. Ele podia ver que Ricardo era alguém confiável, bem diferente dos rumores que costumava ouvir sobre o sombrio líder da Fênix. Não que estivesse sendo encarado de forma suave, porque não estava. Apesar das palavras tranquilas, ele podia ver a sombra que cruzava os seus olhos ao falar dos seus. Ricardo era letal — e agora ele via isso ainda melhor.
— Não se preocupem. Agora temos uma pessoa em comum e não desejo causar nenhum m*l a vocês — responde ele.
— Espero que se lembre disso, Cobra, porque, se algo acontecer com os pequenos, bateremos à sua porta — diz Nico, com o olhar carregado.
— Sempre tivemos uma convivência pacífica e nunca interferi nos seus negócios, assim como vocês nunca interferiram nos meus, então não tenho nenhum motivo para causar qualquer dano a vocês.
Todos relaxam um pouco com as palavras do Cobra, mas a desconfiança ainda estava no olhar de cada um.
— Te esfolo vivo se algo acontecer com a minha neta — diz Vito, apontando um canivete para o homem —, mas, se o seu objetivo também for protegê-los, você pode conquistar um lugar à mesa no futuro.
Álvaro analisa Vito com cuidado. Ele conhecia a fama do homem e, pela forma como girava o canivete nas mãos, podia ver que ela era justificada.
— Temos um trato, Dom Vito — diz ele, estendendo a mão.
Vito encara a mão de Álvaro e cede. Levanta-se e aperta a mão do homem.
— Sente-se, Álvaro. É melhor termos amigos do que inimigos — diz Ricardo.
— Também acho.
Enquanto Álvaro e a Fênix selavam uma trégua, em um quarto do hotel, Félix tentava domar Tess, mas estava descobrindo que ela era bem mais difícil do que imaginava.
— ... quebro sua cara se tocar em mim de novo! — grita ela, jogando um abajur contra ele.
— Continue, minha deusa. Eu adoro uma briga, isso deixa o sexo mais selvagem — responde ele, rindo da cara zangada dela.
Tess joga o abajur contra ele, gritando em frustração. Félix era terrível, e tudo o que ela fazia para irritá-lo não dava certo. Ela só queria sair dali e encontrar Nerone, o seu gato de olhos azuis.
— Você é louco — diz ela, deixando-se cair contra a cama, exausta.
Segundos depois, o colchão se afunda ao seu lado. Ela não se digna a olhar para saber que era a praga de Félix se deitando ali.
— O que você viu no meu irmão? Se for dinheiro, eu tenho bem mais que ele — diz ele, de forma honesta.
— Fala sério! Você é ridículo — diz ela, bufando. — E não fala comigo.
Félix se apoia em um dos braços, olhando para Tess, que tinha os olhos fechados. Ele tinha se encantado pela pequena de cabelos negros, aqueles olhos grandes e castanhos que o haviam cativado.
— Ele nunca vai te querer. Ele ama a noiva, e acho que você já percebeu isso — diz ele, com a sobrancelha arqueada.
Tess abre os olhos e encontra o olhar de Félix. Ela geme em frustração.
— Fique quieto, seu corvo agourento — diz, jogando um travesseiro nele.
— Você é mais burra do que pensei — diz ele, rindo.
— Cala a boca! — diz ela, com raiva, tentando dar um tapa nele.
— Bate, Tess! Pode bater — diz ele, com um olhar enlouquecido —, mas espero que consiga aguentar o que vem depois, porque só tem uma única possibilidade de você me bater e eu não te matar…
Tess trava. Por mais que quisesse duvidar, ela podia ver a verdade nos olhos enlouquecidos de Félix. E, de alguma forma, eles eram como uma chama em meio à escuridão, atraindo-a, incitando-a a se queimar nela.
A mão de Tess desliza por sobre a calça de Félix, pressionando a sua ereção com força, arrancando um gemido dos seus lábios.
— Acho que você não tem o suficiente para isso, filhinho de papai — diz ela, olhando-o fixamente.
— Vamos ver se é isso que você vai dizer daqui a alguns minutos — diz ele, jogando-se sobre ela, a sua boca esmagando a dela.