O dia tinha chegado rapidamente e, antes que percebessem, a noite da apresentação de Nerone já havia chegado. O hotel mais badalado da cidade estava lotado com as figuras mais importantes do submundo. A maioria havia entrado por uma porta alternativa, evitando a aglomeração na entrada principal, onde curiosos tentavam descobrir qual seria o grande evento daquela noite.
— Você está muito bem, garoto. — disse Bernardo, dando um tapinha em suas costas.
— Acho que o Félix exagerou. — respondeu ele, analisando o terno com detalhes chamativos.
Era bonito, mas não fazia o estilo de Nerone. Havia brilho demais, e a abotoadura era claramente um diamante — um dos mais caros. Nerone não ostentava, mesmo tendo dinheiro para isso.
— Eles querem causar hoje, então entendo o porquê dessa roupa. — disse Bernardo, avaliando-o.
— Alguém traga o pole dance, porque a dançarina já temos. — disse Nico, rindo da cara de Nerone.
— Não tem graça. — respondeu ele.
— Tem sim, e precisamos aproveitar cada segundo de zoeira com você. Eles são raros. — disse Charles, aproximando-se.
Não havia o que fazer. Os homens da Fênix não perdiam uma oportunidade de brincar uns com os outros.
— Vamos, os outros já foram. — chamou Xavier, parando na porta.
— Amália? — perguntou Nerone.
— Já foi com as mulheres. E não se preocupe, aquela pessoa não vai aparecer. Ele está no hospital, se recuperando da sua “travessia no deserto”.
Xavier lançou um olhar sugestivo ao dizer aquilo.
Nerone apenas desviou o olhar. Mais cedo, Yago havia lhe enviado um vídeo de Silas chegando a uma vila onde fora resgatado pela Fênix. Ele esperava apenas a repreensão de Ricardo, mas até aquele momento ela não havia vindo.
— Tenho que admitir que isso foi demais. — disse Nico, rindo. — Não te culpo, garoto. Teria feito o mesmo.
— Ele foi avisado. — respondeu Nerone.
— Sabemos, e por isso não te julgamos. Silas está procurando a morte, e uma hora vai encontrá-la. — disse Charles.
— Todo gato brinca com a sua presa, mas, quando se cansa, ela é devorada. Me pergunto quando você vai se cansar de Silas. — disse Xavier.
— Muito em breve, pelo que vejo. — comentou Nico, observando o olhar sombrio de Nerone.
Eles terminaram de se arrumar e partiram rapidamente para o hotel. Toda a Fênix estava em alerta. Cobra não era alguém que podiam controlar caso decidisse criar problemas.
Assim que Nerone chegou à porta do hotel, viu Félix se aproximando com um largo sorriso.
— Irmão! — disse ele, abrindo a porta do carro e puxando Nerone para um abraço.
— Oi, Félix. — respondeu, um pouco sem jeito.
— O papai organizou tudo, irmão. Você vai adorar a sua festa. — disse ele, puxando Nerone para dentro.
Vários seguranças apareceram quando os repórteres reconheceram Nerone. Eles se aproximaram rapidamente, tentando descobrir do que se tratava aquele encontro sigiloso onde todos os poderosos estavam presentes.
Assim que entraram, Nerone se surpreendeu com a decoração do salão: azul-petróleo com dourado e preto, tudo organizado de forma meticulosa. Ele podia ver seus amigos mais à frente, todos atentos ao que acontecia ao redor.
— Papai! Não estamos iguais? — perguntou Félix, passando o braço pelo pescoço de Nerone.
Nerone olhou para ele e percebeu que ambos vestiam a mesma roupa. Ao que parecia, Félix estava mais animado do que o próprio Nerone.
Álvaro se aproximou com um copo de uísque nas mãos, balançando a cabeça diante daquilo que o filho havia aprontado. Às vezes, Félix se esquecia de que já não era mais uma criança.
— Bem-vindo, Nerone. Espero que tenha gostado do lugar. — disse ele, com um sorriso de lado.
— Obrigado, padrinho. Está realmente lindo. — respondeu, com um leve aceno.
— Se quiser trocar de roupa, posso providenciar outra para você. — disse Álvaro, um pouco apreensivo.
Ele havia deixado a escolha nas mãos de Félix e, naquele momento, percebia que talvez não tivesse sido a melhor ideia.
— Não precisa. Eu gostei dessa. — disse Nerone, tranquilizando-o.
— Eu disse que ele ia gostar, pai. Precisa confiar mais em mim. — afirmou Félix, com um sorriso convencido.
— Venham, vamos até seus amigos, garoto. Imagino que eles não estejam gostando muito disso.
Álvaro não era ingênuo. Ele via claramente os homens da Fênix analisando o ambiente, atentos a qualquer possível ameaça — e entendia perfeitamente o motivo. Sabia que a Fênix levava a sério a proteção dos seus, e o fato de estarem ali demonstrava o quanto se importavam com Nerone.
— Bem-vindos. É um prazer recebê-los neste evento. — disse Álvaro, estendendo a mão para Ricardo.
— Confesso que estou surpreso com o convite, e ainda mais com o motivo. — respondeu Ricardo, arqueando a sobrancelha enquanto apertava a sua mão.
— Não se preocupe com isso, Ricardo. Posso garantir que o meu único objetivo hoje é tornar o meu afilhado intocável. Ele faz parte da minha família e, assim como você, eu também protejo os meus. — disse, com um olhar sugestivo.
— Ao que parece, estamos todos na mesma página. — disse Ricardo.
— Sim. Nerone ganhou o meu respeito e admiração. E, como Félix parece gostar bastante dele, achei melhor mantê-lo por perto… e retribuir a sua gentileza.
Ricardo havia recebido, no dia anterior, o vídeo do desafio de Nerone, junto da explicação de Cobra. Ainda assim, precisava olhar nos olhos de Álvaro e ouvir de sua própria boca que o garoto estaria seguro.
— Se o tratar com respeito, sempre terá amigos entre nós, Álvaro. — disse Ricardo, com sinceridade.
— É tudo o que desejo, Ricardo. Que possamos viver em paz, sem causar problemas um ao outro.
Em matéria de poder, Ricardo e Álvaro eram forças equivalentes, cada um em seu domínio. Um conflito entre eles poderia gerar consequências incalculáveis. O mais sensato era manter aquela aliança.
— E assim será. — disse Ricardo, selando o acordo silencioso.