Tess não desejava aquilo, ela não queria deixar o lugar que era sua casa para partir, não daquela forma ao menos. Tinha sido legal a sua noite com Félix, de várias formas, mas ela sabia que ele não era o tipo de cara que sossegava com uma pessoa, Félix era o famoso biscateiro, e ela via isso nos seus olhos e na forma faminta que ele tinha a encarado durante aquela noite, então não se enganava achando que ele queria mais do que apenas uma noite de sexo com ela.
— Tudo vai ficar bem, Tess. — diz Kalil observando o rosto arrasado dela enquanto colocava as suas coisas de qualquer forma na mala.
— Não vai Kalil, — responde ela se virando para ele com olhos marejados, — Não precisava me dizer essas coisas para que eu me sinta melhor, não vai funcionar.
Kalil suspira, se levanta e vai até ela pegando em suas mãos com carinho.
— Não importa para onde vai Tess, sempre vou me preocupar com você. Quando precisar de mim basta ligar, não importa o que seja, estarei lá por você.
Um sorriso triste se abre nos lábios de Tess ao olhar para ele. Ela ergue uma das mãos tocando o rosto de Kalil com carinho.
— Que pena que não percebi o quanto você é incrível, Kalil. — Ela se aproxima dá um beijo na bochecha dele pega a mala e sai.
Kalil a acompanha até a saída onde um helicóptero a esperava, Lorel não estava por perto, mas Kalil sabia que ele devia estar observando.
— Vamos senhorita, o senhor a aguarda. — diz um homem se aproximando e pegando a bagagem dela.
— Se cuida. — diz Kalil.
— Você também. — Responde ela se virando e saindo.
Tess estava uma pilha de nervos, os braços cruzados com força enquanto olhava pela janela. O mar escuro abaixo deles parecia não ter fim, e aquilo só fazia o seu nervosismo aumentar. Ela ainda não conseguia acreditar no que Lorel tinha feito.
Ou melhor… conseguia.
A carta de Félix tinha sido praticamente uma ordem. E ninguém desobedecia o filho do Cobra. Nem mesmo Lorel.
Depois de vários minutos, luzes começam a surgir no meio da escuridão. Os seus olhos se estreitam ao ver a enorme ilha cercada por muralhas, torres de vigilância e homens armados espalhados pelo cais. Aquilo parecia mais uma fortaleza particular. O que não era bem mentira.
O helicóptero começa a descer lentamente até uma plataforma enorme iluminada por holofotes.
Antes mesmo que pousassem completamente, Tess enxerga Félix parado perto a eles.
Assim que as hélices diminuem a velocidade, a porta é aberta por um dos homens de Félix.
Tess desce, o vento forte bagunça os seus cabelos imediatamente, mas ela m*l percebe. O seu olhar estava preso no homem parado alguns metros à frente.
Félix, vestido inteiramente de preto, mãos nos bolsos, expressão tranquila… tranquila demais para alguém que acabara de destruir a paz da vida dela. Mas o sorriso que ele tinha nos lábios lhe dizia que ele parecia satisfeito.
Aquilo irritou Tess instantaneamente.
— Você enlouqueceu!? — ela dispara enquanto caminha na direção dele.
Os homens ao redor imediatamente ficam tensos, esperando para ver o que o patrão faria.
— Boa noite para você também, minha pautinha insaciável.
Tess trava no lugar por alguns segundos, a suas bochechas corando violentamente enquanto encarava o sorriso que ele tinha no rosto.
— Não me chama assim! — rosna ela. — Qual é o seu problema!? Quem você pensa que é para mandar uma carta daquelas?!
Félix a observa se aproximar sem mover um músculo sequer.
— Funcionou, não funcionou?
— Você me arrancou da minha casa!
— Tecnicamente, foi Lorel quem fez isso.
Tess para na frente dele completamente furiosa.
— Eu vou embora agora mesmo.
— Não vai.
— Vai me impedir?
— Sim.
A resposta simples faz o sangue dela ferver. Tess empurra o peito dele com força.
— Seu psicopata arrogante!
Nenhum dos homens ao redor ousa respirar. Mas Félix apenas abaixa o olhar para a mão dela em seu peito antes de encará-la novamente.
— Continua brava. Gosto disso.
— Eu vou arrancar esse sorriso da sua cara!
Ela tenta empurrá-lo outra vez, mas Félix segura o seu pulso no ar com facilidade.
O corpo de Tess se arrepia imediatamente, ela reconhecia aquele toque, e ainda pior, o seu corpo desejava de forma ardente que ele continuasse a tocando.
— Me solta. — diz entre os dentes.
— Você passou a viagem inteira pensando em mim? — pergunta ele ignorando completamente a ameaça. — Seu corpo sabe que você me quer, apenas admita.
— Claro que não!
— Mentira. Posso sentir o quanto seu corpo me deseja. — diz ele enquanto cheirava o pescoço dela.
Tess abre a boca indignada, os seus lábios tremendo enquanto sentia a respiração dele em sua pele.
— Você é insuportável!
Félix sorri enquanto a segurava em seus braços. Ela podia estar certa, e ele não se importava, desde que ela estivesse com ele.
— E ainda assim você veio. — murmura ele.
— Porque me obrigaram!
— Não parece tão infeliz assim.
Ela tenta puxar o braço, mas Félix continua segurando o seu pulso. O olhar dele desce lentamente para os lábios dela. Ele sentia o desejo o dominar, sempre que estava perto dela era daquela forma, e Félix sabia que apenas uma temporada com Tess na ilha não seria suficiente.
— Saiba que você me pertence, Tess. Não importa o que diga ou o que faça, não vou cair no seu jogo, mas você vai cair no meu. — diz ele antes de fechar o espaço entre eles esmagando os seus lábios aos dela.
Tess tenta resistir, mas Félix não lhe dá chance, a sua língua invade a boca dela sem nenhum pudor, as suas mãos a puxam para si a pressionando contra a sua ereção, ela geme, e agarra os seus cabelos com força se pressionando mais contra ele.
— Você vai descobrir Tess, que nesta ilha o mestre sou eu, e faço o que quero com o que me pertence. — diz ele com olhos sombrios.
Félix a pega nos seus braços e caminha em direção a mansão, estava na hora de Tess provar de suas palavras.