Capítulo 68

1067 Words
Amália estava encantada com a vista da janela do carro. Eles haviam pousado há alguns minutos, e não foi nenhuma surpresa acordar nos braços de Nerone; na verdade, ela estava gostando bastante de tê-lo por perto. Agora, ela se deleitava com a vista dos vinhedos ao seu redor. O parreiral ocupava boa parte da propriedade, e ela via as pessoas colhendo as uvas enquanto passavam. Ela estava na Itália, era oficial, e aquilo lhe dava um friozinho na barriga. Ela queria explorar tudo, conhecer cada canto da propriedade que seria seu lar dali a alguns dias. Amália já não estava mais incomodada com o seu futuro, não depois de tudo o que tinha passado com ele, e, ao olhar para o anel caríssimo em seu dedo, percebia que tinha feito a escolha certa, não pelo que Nerone poderia lhe dar, mas pelo sentimento que ele demonstrava em tudo o que fazia ao lado dela. Amália tinha descoberto, com horror, que o seu anel havia sido feito pelo artista desconhecido e que tinha sido um pedido de Nerone, algo especial para combinar com ela. Agora, ela olhava melhor para o anel em seu dedo e encarava as pequenas pintinhas na pedra com carinho. — Está vendo aquela construção mais afastada? — pergunta Nerone, mostrando algo pela janela. — É a nossa casa. Os olhos de Amália se fixam na mansão mais afastada, arregalados. Ela não acreditava no que estava vendo. Era enorme e atiçava sua curiosidade. — É grande. — diz ela. — Sim. Mas não se preocupe, você terá algumas pessoas para te ajudar com a casa, não precisará fazer nada. — diz ele, dando de ombros. Nerone não desejava que a sua esposa se desgastasse com serviços domésticos, já que ele podia pagar alguém para fazer isso. Ele desejava uma companheira e não uma escrava. É claro que ele iria adorar os cuidados de Amália, mas não imporia isso a ela. — Sério? — pergunta ela, com a sobrancelha arqueada. — Sou rico, Amália, posso pagar uma empregada, ou várias. Olhando para ele, Amália percebia que nunca tinha pensado em Nerone dessa forma, como alguém rico. Para ela, ele era apenas o Nerone que trabalhava na organização, a pessoa com quem ela adorava implicar. Amália nunca pensava nele como um Donati, dono de uma fortuna maior do que ela poderia imaginar. — Mas, se eu quiser fazer algo, vou poder? — pergunta ela, sondando-o. — A casa é sua, pode até colocá-la abaixo, se quiser. — diz ele, dando de ombros. Um sorriso se abre no rosto de Amália. — Está me dizendo que eu posso fazer o que eu quiser com a casa e os assuntos que a envolvam? — Sim. Não vou interferir. Você será a senhora da casa, todos devem acatar suas decisões. — diz ele com tranquilidade. Nerone tinha aprendido cedo que, para manter a paz, ele teria que deixar sua esposa satisfeita, e deixá-la responsável pela casa era algo com que ele não se importava. — E se eu quiser te deixar para fora? — pergunta ela, com a sobrancelha arqueada. Nerone olha para ela e sorri. Ele passa a mão pelos longos cabelos dela, deleitando-se com sua maciez. Seus olhos acompanham a curva da cintura de Amália, fixando-se em seu traseiro. Ele segura o braço dela e a puxa para seu colo, suas mãos colando-se ao traseiro dela. Ele amava ver os s***s dela subindo e descendo enquanto ela respirava de forma descompassada. — Garanto que, depois da nossa noite de núpcias, você nunca mais vai querer dormir sozinha, tampinha. Amália olhava em seus olhos, sentindo-se corar. Ela podia sentir a ereção de Nerone cutucando a sua i********e. Parecia que, nos últimos dias, ele sempre estava duro, e aquilo a deixava curiosa, muito curiosa. — Você esteve com quantas mulheres, Nerone? — pergunta, sem poder conter o ciúme que sentia. Ele suspira, fechando os olhos. Quando os abre novamente, todo traço de humor havia sumido. — Nunca estive com ninguém, Amália. — responde ele. Os olhos de Amália se arregalam. Ela não esperava ouvir aquilo dele. — Mas como... — Aqui não é lugar para termos essa conversa. — diz ele, tirando-a do seu colo. — Mas eu quero saber. — insiste ela, curiosa. Nerone não podia soltar uma bomba daquela sobre ela e não dizer nada. Ele a estava provocando há dias, e Amália sempre tinha pensado que Nerone era um grande conquistador. Descobrir que não era o que ela pensava a deixava chocada. O carro para em frente à mansão. Nerone desce e ajuda Amália a descer. Assim que se viram, encontram toda a tropa de Oksana os aguardando. — Seja bem-vinda, tia Amália. — diz Lorenzo, se aproximando e entregando um buquê de flores para ela. — Obrigada, você é muito gentil. — diz ela, inclinando-se e dando um beijo na bochecha do pequeno. — Espero que tenham arrumado sua bagunça. — diz Nerone, com a sobrancelha arqueada. Os meninos dão um sorriso sem graça para o tio. — Está tudo em ordem, senh... tio. — diz Zion, mudando de ideia ao ver a expressão de Nerone. — Espero que sim, Zion. — diz ele. — Quando vamos poder fazer coisas divertidas como eles, tio? — pergunta Gaya, se aproximando com um rostinho chateado. — Você é uma dama, Gaya, não pode fazer essas coisas. — justifica ele enquanto pegava a sobrinha no colo. — Sei que a mamãe faz coisas piores. — insiste ela. Amália cai na risada com as palavras da menina. Ela podia ver muito de Oksana na pequena Gaya. — Você pode pedir à sua mãe, querida. Aposto que, quando for maior, ela te ensina. — diz Amália. Nerone lança um olhar de repreensão para Amália. Ele não queria suas sobrinhas envolvidas com coisas que as colocavam em risco. — Eu quero ser uma dama, tio. — diz Mili, se aproximando de Nerone. — E depois vou me casar com o Zion. O garoto congela com as palavras da pequena. Por instinto, ele dá um passo para trás, olhando assustado para Nerone. — Tio, eu não fiz nada. Sabe que jamais tocaria nas meninas. — diz ele, com as mãos erguidas. Nerone suspira. Ao que parecia, ele teria que começar a pegar mais leve com Zion, e, por experiência, ele sabia que, quando o coração escolhia, não havia nada que se pudesse fazer.
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