Oksana observou a quantidade de pessoas do lado de fora da mansão, surpresa por não ter percebido a movimentação antes. Ela podia ouvir a voz desesperada de uma mulher e, ao se aproximar, encontrou Nerone com a pistola enfiada na boca de um homem, segurando-o pelo pescoço. Os seus olhos ardiam como chamas de pura ira.
— Solte ele, Nerone — pediu Oksana, aproximando-se lentamente.
— Não — respondeu ele entre dentes, com o maxilar tão tenso que parecia prestes a quebrar.
— Senhorita, salve o meu pai! — gritou a mulher, em desespero.
— Cala a p***a da boca! — retrucou Oksana, irritada. Ela não conhecia aquelas pessoas e, pelo que entendia, eram a razão do surto do cunhado.
A mulher recuou, assustada, com o corpo tremendo e os olhos arregalados.
— Vamos, Nerone… solta ele — insistiu Oksana, aproximando-se e pousando a mão sobre a dele.
— Ele vai morrer — rosnou, consumido pela raiva.
— Vai. Mas não hoje, nem na minha calçada — respondeu ela, pegando a arma da mão dele. — Agora dá para me explicar o que houve?
Nerone respirou fundo. A raiva ainda o consumia, mas ele não podia ser desrespeitoso com Oksana.
— Ele quis me pagar pelo serviço… com a própria filha.
Oksana soltou um gemido exasperado.
O homem à frente deles estava em sérios problemas.
Nerone era fiel a Amália até o último fio de cabelo — aquela oferta era um insulto.
— Fala sério… eu só queria tomar um banho em paz — murmurou ela, frustrada.
Nerone a analisou rapidamente. Oksana estava com os cabelos molhados e bagunçados, usando chinelos e um roupão, com o rosto levemente corado pela pressa.
— O meu irmão não vai gostar de te ver assim — comentou ele, antes de se virar para os soldados. — De costas. Todos!
Imediatamente, os homens obedeceram, virando-se, ainda com as armas em punho. Ninguém ousaria olhar para a esposa do chefe naquela situação.
— Eu não fiz por m*l, senhora — disse o homem, recuperando o fôlego.
— Eu não te conheço — começou Oksana. Quando ele tentou falar, ela ergueu a mão, interrompendo-o. — E nem quero. E, para esclarecer a sua ideia brilhante, o meu cunhado já tem noiva e casamento marcado. Então esqueça essa loucura.
O homem empalideceu ao olhar para Nerone.
— Eu… eu não sabia — disse, levantando-se com cuidado. — Me desculpe.
— Podia ter evitado tudo isso se tivesse perguntado antes! — retrucou Oksana, irritada. — Sabe o quanto é difícil tomar um banho decente quando se tem seis filhos?
O homem abaixou o olhar, envergonhado, sentindo-se um intruso. Jamais pensou que teria uma conversa como aquela ao ir até aquele lugar.
— E como chegou até aqui? Não é qualquer um que sabe onde moramos — continuou ela, engatilhando a arma e dando um passo em sua direção.
— Consegui o endereço com um fornecedor seu… Ele acreditou quando disse que precisava entregar um pagamento ao irmão de Dom Aurélio — respondeu rapidamente.
— Nome — exigiu Oksana, com os dentes cerrados.
— Se… Sebastian.
— Renan! — gritou ela.
Um soldado correu até ela, abaixando a cabeça. Não se atrevia a encarar a mulher do chefe.
— Sim, senhora.
— Encontre o Sebastian e mostre a ele o que acontece com quem fala demais — disse, com voz suave e um sorriso perigoso.
O soldado estremeceu.
Muitos achavam que a esposa do chefe era apenas uma dondoca — mas estavam enganados. A russa podia ser ainda mais perigosa que Dom Aurélio.
— Farei isso imediatamente, senhora — respondeu ele, saindo com alguns homens.
— Mas por que eu não posso me casar com ele? — perguntou a mulher, dando um passo à frente, com olhar desafiador.
— Você me dá nojo — respondeu Nerone, frio.
Era evidente que ele não tinha qualquer interesse nela. Podia ser bonita e delicada, mas não fazia o seu tipo. Ele preferia a sua “tampinha” — irritada e de língua afiada.
— Estou quase me arrependendo de ter te impedido — comentou Oksana, devolvendo a arma a Nerone, ainda encarando a mulher.
Ele apenas arqueou a sobrancelha, sem responder.
— Saia daqui. Não temos nada para conversar — disse ele ao homem. — E não quero sua filha como pagamento.
— Não se preocupe, senhor. Vou pagar pelo serviço — respondeu o homem rapidamente, puxando a filha pelo braço.
— Não, pai! Eu quero ele! — protestou ela, soltando-se e correndo novamente na direção de Nerone.
Ele ergueu a arma outra vez, deixando claro que não permitiria aproximação.
— Sugiro que escute seu pai e se afaste de mim. Não serei gentil da próxima vez.
— Eu vou mantê-la na linha, senhor — disse o homem, arrastando a filha sob protestos até o helicóptero.
Pouco depois, a aeronave decolou, deixando o local em silêncio.
Oksana cruzou os braços, encarando Nerone.
— Você é um ímã para problemas, garoto.
Antes que ele respondesse, uma voz furiosa ecoou ao longe.
— Oksana!
Aurélio se aproximava, claramente irritado ao vê-la de roupão no meio dos soldados.
— Acho melhor irmos, senhor — murmurou Zion, começando a voltar para a garagem.
— Zion! Você não pode abandonar a mamãe! — reclamou Oksana.
— Ele não vai machucar a senhora. Ele te ama — respondeu o menino, com um leve tom de humor.
— Ah, agora resolveu ser engraçado? — retrucou ela, revirando os olhos.
— Oksana, eu vou deixar esse seu traseiro vermelho de tanto tapa! — gritou Aurélio ao longe.
— Merda! — praguejou ela, correndo de volta para dentro da casa.
Rapidamente, os soldados se dispersaram pelo pátio.
Ninguém queria ficar por perto para testemunhar — ou pior, participar — da fúria do chefe.