Capítulo 46

962 Words
Oksana observou a quantidade de pessoas do lado de fora da mansão, surpresa por não ter percebido a movimentação antes. Ela podia ouvir a voz desesperada de uma mulher e, ao se aproximar, encontrou Nerone com a pistola enfiada na boca de um homem, segurando-o pelo pescoço. Os seus olhos ardiam como chamas de pura ira. — Solte ele, Nerone — pediu Oksana, aproximando-se lentamente. — Não — respondeu ele entre dentes, com o maxilar tão tenso que parecia prestes a quebrar. — Senhorita, salve o meu pai! — gritou a mulher, em desespero. — Cala a p***a da boca! — retrucou Oksana, irritada. Ela não conhecia aquelas pessoas e, pelo que entendia, eram a razão do surto do cunhado. A mulher recuou, assustada, com o corpo tremendo e os olhos arregalados. — Vamos, Nerone… solta ele — insistiu Oksana, aproximando-se e pousando a mão sobre a dele. — Ele vai morrer — rosnou, consumido pela raiva. — Vai. Mas não hoje, nem na minha calçada — respondeu ela, pegando a arma da mão dele. — Agora dá para me explicar o que houve? Nerone respirou fundo. A raiva ainda o consumia, mas ele não podia ser desrespeitoso com Oksana. — Ele quis me pagar pelo serviço… com a própria filha. Oksana soltou um gemido exasperado. O homem à frente deles estava em sérios problemas. Nerone era fiel a Amália até o último fio de cabelo — aquela oferta era um insulto. — Fala sério… eu só queria tomar um banho em paz — murmurou ela, frustrada. Nerone a analisou rapidamente. Oksana estava com os cabelos molhados e bagunçados, usando chinelos e um roupão, com o rosto levemente corado pela pressa. — O meu irmão não vai gostar de te ver assim — comentou ele, antes de se virar para os soldados. — De costas. Todos! Imediatamente, os homens obedeceram, virando-se, ainda com as armas em punho. Ninguém ousaria olhar para a esposa do chefe naquela situação. — Eu não fiz por m*l, senhora — disse o homem, recuperando o fôlego. — Eu não te conheço — começou Oksana. Quando ele tentou falar, ela ergueu a mão, interrompendo-o. — E nem quero. E, para esclarecer a sua ideia brilhante, o meu cunhado já tem noiva e casamento marcado. Então esqueça essa loucura. O homem empalideceu ao olhar para Nerone. — Eu… eu não sabia — disse, levantando-se com cuidado. — Me desculpe. — Podia ter evitado tudo isso se tivesse perguntado antes! — retrucou Oksana, irritada. — Sabe o quanto é difícil tomar um banho decente quando se tem seis filhos? O homem abaixou o olhar, envergonhado, sentindo-se um intruso. Jamais pensou que teria uma conversa como aquela ao ir até aquele lugar. — E como chegou até aqui? Não é qualquer um que sabe onde moramos — continuou ela, engatilhando a arma e dando um passo em sua direção. — Consegui o endereço com um fornecedor seu… Ele acreditou quando disse que precisava entregar um pagamento ao irmão de Dom Aurélio — respondeu rapidamente. — Nome — exigiu Oksana, com os dentes cerrados. — Se… Sebastian. — Renan! — gritou ela. Um soldado correu até ela, abaixando a cabeça. Não se atrevia a encarar a mulher do chefe. — Sim, senhora. — Encontre o Sebastian e mostre a ele o que acontece com quem fala demais — disse, com voz suave e um sorriso perigoso. O soldado estremeceu. Muitos achavam que a esposa do chefe era apenas uma dondoca — mas estavam enganados. A russa podia ser ainda mais perigosa que Dom Aurélio. — Farei isso imediatamente, senhora — respondeu ele, saindo com alguns homens. — Mas por que eu não posso me casar com ele? — perguntou a mulher, dando um passo à frente, com olhar desafiador. — Você me dá nojo — respondeu Nerone, frio. Era evidente que ele não tinha qualquer interesse nela. Podia ser bonita e delicada, mas não fazia o seu tipo. Ele preferia a sua “tampinha” — irritada e de língua afiada. — Estou quase me arrependendo de ter te impedido — comentou Oksana, devolvendo a arma a Nerone, ainda encarando a mulher. Ele apenas arqueou a sobrancelha, sem responder. — Saia daqui. Não temos nada para conversar — disse ele ao homem. — E não quero sua filha como pagamento. — Não se preocupe, senhor. Vou pagar pelo serviço — respondeu o homem rapidamente, puxando a filha pelo braço. — Não, pai! Eu quero ele! — protestou ela, soltando-se e correndo novamente na direção de Nerone. Ele ergueu a arma outra vez, deixando claro que não permitiria aproximação. — Sugiro que escute seu pai e se afaste de mim. Não serei gentil da próxima vez. — Eu vou mantê-la na linha, senhor — disse o homem, arrastando a filha sob protestos até o helicóptero. Pouco depois, a aeronave decolou, deixando o local em silêncio. Oksana cruzou os braços, encarando Nerone. — Você é um ímã para problemas, garoto. Antes que ele respondesse, uma voz furiosa ecoou ao longe. — Oksana! Aurélio se aproximava, claramente irritado ao vê-la de roupão no meio dos soldados. — Acho melhor irmos, senhor — murmurou Zion, começando a voltar para a garagem. — Zion! Você não pode abandonar a mamãe! — reclamou Oksana. — Ele não vai machucar a senhora. Ele te ama — respondeu o menino, com um leve tom de humor. — Ah, agora resolveu ser engraçado? — retrucou ela, revirando os olhos. — Oksana, eu vou deixar esse seu traseiro vermelho de tanto tapa! — gritou Aurélio ao longe. — Merda! — praguejou ela, correndo de volta para dentro da casa. Rapidamente, os soldados se dispersaram pelo pátio. Ninguém queria ficar por perto para testemunhar — ou pior, participar — da fúria do chefe.
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