Debora narrando Sabe aquelas coisas que tu faz no impulso, no sangue quente, e só depois, quando tudo passa, é que bate o peso da parada? Aquele momento em que tu percebe o tamanho da merda que fez? Então. Era exatamente assim que eu tava. Sentada no banco do carona, com as pernas ainda tremendo da adrenalina, o cabelo desgrenhado, o glitter da maquiagem borrado na testa e a sandália nas mãos, porque o salto quebrou na hora da confusão. E foi aí, naquele silêncio súbito entre uma curva e outra no carro dele, que caiu a ficha. — Eu joguei uma menina lá de cima do camarote. — falei alto, sem nem olhar pra ele, encarando o vidro como se fosse me trazer alguma resposta lógica. Ficou um silêncio rápido, e aí veio a gargalhada dele. Aquela gargalhada escrota, debochada, que me dava vontade

