Caveira narrando Eu e o Pescoço estávamos ali, lado a lado, como sempre. Ele passando mais algumas ordens, entregando envelope, pegando dinheiro, trocando sinal. Eu observando tudo. Olhava para a molecada que se agitava e pensava na conversa com o Heitor mais cedo. Na minha escolha de apresentar o lado de dentro pra ele. O que não dá pra ver das janelas de uma casa boa. O que não se aprende com desenho animado e nem com caderno de escola. Eu dei a ele o que muitos não têm: a verdade. E não me arrependo. Essa é a favela. Crua. Real. Intensa. Alguns têm oportunidade. Outros, não. Alguns, como meus filhos, vão ter a chance de decidir. E se um dia eles entrarem nesse corre, que seja por escolha, não por falta de opção. Porque eu olho ao redor e vejo moleque que tinha tudo pra virar engenhe

