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O pai que o destino me deu

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Blurb

Há oito anos, uma noite mudou completamente a vida de uma jovem mulher.

Ao sair da escola, ela encontrou um homem gravemente ferido, quase sem forças. Sem saber quem ele era ou de onde vinha, decidiu ajudá-lo. Durante alguns dias, cuidou dos seus ferimentos, alimentou-o e esteve ao lado dele enquanto ele se recuperava.

Entre cuidados, conversas e momentos de carinho, nasceu uma conexão inesperada. Ele tinha um sorriso capaz de afastar qualquer medo e uma forma gentil de tratá-la que ela nunca havia conhecido. O que começou como um ato de bondade acabou se transformando em algo muito maior.

Mas, quando a manhã chegou, o medo falou mais alto.

Assustada com tudo o que tinha acontecido, ela fugiu sem se despedir, sem explicar nada e sem imaginar que aquela decisão mudaria sua vida para sempre.

Pouco tempo depois, descobriu que estava grávida.

Abandonada pela própria família, ela precisou enfrentar o mundo sozinha. Sem ter para onde ir, encontrou abrigo em uma pequena pensão, onde começou uma nova vida. Trabalhando duro, criou seu filho com todo amor que tinha, enquanto a dona da pensão se tornou sua maior proteção, uma verdadeira família quando ela mais precisava.

Com esforço e determinação, ela conseguiu se reerguer. Estudou, passou no Enem, entrou na faculdade e construiu um futuro melhor para o menino que era sua maior razão de viver.

Seu filho cresceu cercado de amor, mas havia uma pergunta que sempre voltava:

“Por que eu não tenho um pai?”

Agora, aos sete anos, perto de completar mais um aniversário, essa ausência começa a pesar ainda mais. Ele sonha em ter alguém para chamar de pai, alguém para estar ao seu lado nos momentos importantes.

Até que faz um pedido inesperado para sua mãe:

Que ela encontre alguém para fingir ser seu pai pelo menos durante seu aniversário.

O que ele não sabe é que o homem que ele procura não é um desconhecido.

Ele é o homem que sua mãe tentou esquecer por oito anos.

E quando o passado voltar à porta dela, ela terá que decidir se continua protegendo seu segredo ou se revela ao mundo a existência de um filho que nasceu de uma história de amor que nunca teve um verdadeiro fim.

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Capítulo 1 — O homem daquela noite
Oito anos atrás... A chuva caía forte naquela noite. Eu me lembro exatamente do som das gotas batendo contra o chão enquanto eu caminhava para casa depois da escola. Eu estava cansada, com a mochila pesada nas costas e a cabeça cheia de pensamentos sobre provas, trabalhos e o futuro. Eu era apenas uma garota tentando descobrir o meu caminho. Nunca imaginei que, naquela noite, minha vida mudaria completamente. Quando passei por uma rua mais afastada, ouvi um barulho estranho. Parei. No começo, pensei que fosse apenas alguma coisa caída no chão. Mas então ouvi um gemido baixo. Meu coração acelerou. Olhei para o canto escuro da rua e vi um homem caído. Ele estava machucado. Muito machucado. A roupa dele estava suja, havia sangue em alguns lugares e ele parecia estar lutando para permanecer acordado. Por alguns segundos, fiquei parada. Eu deveria ir embora. Era perigoso. Eu não sabia quem ele era. Mas alguma coisa dentro de mim não deixou. — Moço? — chamei baixinho. Ele abriu os olhos com dificuldade. E foi naquele momento que eu vi. Mesmo ferido, mesmo sofrendo, ele ainda tinha um olhar intenso. — Você precisa... ir embora — ele falou com a voz fraca. Franzi a testa. — Você está machucado. Ele tentou se levantar, mas não conseguiu. — Eu disse para ir embora. Mas eu não fui. Talvez tenha sido a maior loucura da minha vida. Ou talvez tenha sido o destino. Com muita dificuldade, consegui ajudá-lo a chegar até um lugar seguro. Eu não podia levá-lo para minha casa, meus pais jamais aceitariam aquilo. Então encontrei um pequeno quarto vazio que eu tinha acesso e escondi ele ali. Nos primeiros dias, eu cuidei dos seus ferimentos. Levava comida. Trocava os curativos. Conversava com ele quando ele acordava assustado durante a noite. No começo, ele era fechado. Frio. Como se carregasse o peso do mundo nas costas. Mas aos poucos, aquele homem começou a mudar comigo. Ele começou a sorrir. E aquele sorriso... Eu nunca esqueci. — Você sempre ajuda estranhos assim? — ele perguntou uma noite. Eu sorri. — Não. Ele arqueou a sobrancelha. — Então por que me ajudou? Eu fiquei em silêncio por alguns segundos. Porque eu não sabia explicar. Talvez fosse porque, apesar de parecer perigoso, eu enxerguei a dor nos olhos dele. — Porque você precisava. Ele me observou como se ninguém nunca tivesse dito aquilo para ele. — Você é diferente. Baixei o olhar, envergonhada. Eu não sabia que aquele simples momento ficaria marcado na minha memória para sempre. Com o passar dos dias, ele foi ficando mais forte. E quanto mais tempo passávamos juntos, mais difícil era fingir que aquilo era apenas gratidão. Ele cuidava de mim de uma forma que ninguém nunca tinha cuidado. Perguntava como tinha sido meu dia. Se eu tinha comido. Se eu estava cansada. Ele me fazia rir. Me fazia esquecer todos os problemas. Até que uma noite tudo mudou. Ele segurou minha mão. — Eu não sei o que você fez comigo... mas desde que te conheci, parece que consigo respirar novamente. Meu coração bateu mais rápido. Aquele homem era um completo desconhecido. Mas, de alguma forma, parecia que eu o conhecia há muito tempo. Eu não sabia o nome verdadeiro dele. Não sabia o passado dele. Não sabia o perigo que ele carregava. Eu só sabia que, pela primeira vez, alguém olhava para mim como se eu fosse importante. E naquela noite, eu me permiti sentir. Eu me permiti esquecer o medo. Mas quando o sol nasceu... Eu entrei em pânico. O que eu tinha feito? Quem era aquele homem? O que aconteceria quando ele fosse embora? Eu não tive coragem de descobrir. Então fiz a única coisa que achei que poderia me proteger. Fugi. Sem despedida. Sem explicação. Sem saber que, dentro de mim, eu carregaria para sempre a maior lembrança daquela noite. Um segredo que mudaria duas vidas. O meu filho. Eu corri. Corri como se pudesse fugir do que eu sentia. Como se deixar aquele lugar para trás fosse apagar tudo o que tinha acontecido. Mas não apagou. Durante todo o caminho de volta para casa, eu sentia o coração apertado. Eu lembrava do jeito que ele me olhava. Da voz dele. Da forma como ele segurou minha mão. Eu sabia que tinha feito a coisa errada. Mas o medo era maior. Eu era jovem demais. Eu não sabia lidar com aquilo. Não sabia quem ele era, de onde tinha vindo ou por que alguém como ele estava naquela situação. Eu só sabia que aquele homem tinha entrado na minha vida por alguns dias... E levado uma parte de mim quando foi embora. Passei os dias seguintes tentando voltar à minha rotina. Escola. Casa. Estudos. Mas nada parecia igual. Eu olhava para a rua esperando, sem admitir, que ele aparecesse novamente. Que batesse na minha porta. Que perguntasse por que eu tinha ido embora. Mas ele não apareceu. E o tempo passou. Até que algumas semanas depois, comecei a sentir que algo estava diferente. No início, achei que fosse apenas estresse. Eu estava cansada, enjoada e sem vontade de comer. Mas minha maior surpresa veio quando descobri a verdade. Eu estava grávida. Lembro exatamente do momento em que segurei aquele exame nas mãos. Meu mundo parou. Eu fiquei olhando para aquelas linhas, tentando entender como minha vida tinha mudado tão rápido. Eu não sabia o que fazer. Não sabia como contar. Não sabia nem por onde começar. Quando meus pais descobriram, a reação deles foi pior do que eu imaginava. Eles não perguntaram se eu estava bem. Não perguntaram se eu precisava de ajuda. Só disseram que eu tinha decepcionado a família. E, naquela noite, eu saí de casa com uma pequena bolsa nas mãos e lágrimas nos olhos. Eu não tinha lugar para ir. Não tinha dinheiro. Não tinha ninguém. Durante alguns dias, eu dormi onde conseguia. Até que encontrei uma pequena pensão. A dona era uma mulher de coração enorme chamada Helena. Ela me viu parada na porta, cansada e sem saber para onde ir. — Você está sozinha? — ela perguntou. Eu tentei ser forte. Mas naquele momento eu só consegui chorar. Ela não fez perguntas. Não me julgou. Apenas abriu a porta. — Entre. Vamos conversar. Foi ali que minha vida começou novamente. Eu trabalhei na pensão. Limpava quartos. Ajudava na cozinha. Fazia tudo o que podia. E, quando meu filho nasceu, dona Helena foi a primeira pessoa a segurá-lo depois de mim. — Ele é lindo — ela disse emocionada. Eu olhei para aquele pequeno rosto. Meu menino. Meu motivo para continuar. — O nome dele será Noah. Ela sorriu. — Noah vai saber um dia o quanto a mãe dele lutou por ele. E ela estava certa. Eu lutei. Por ele, eu lutei todos os dias. Enquanto outras pessoas diziam que minha vida tinha acabado, eu estava apenas começando. Eu estudava quando ele dormia. Trabalhava quando alguém podia ficar com ele. Chorava escondida quando o medo aparecia. Mas nunca deixei que ele sentisse falta de amor. Porque mesmo sem ter o pai dele ao nosso lado... Eu faria tudo para que ele soubesse que era amado. Só que eu ainda não sabia... Que oito anos depois, aquele homem que eu abandonei naquela manhã voltaria para minha vida. E dessa vez... Ele não viria sozinho. Ele viria atrás da verdade. E a verdade tinha o rosto de uma criança de sete anos com o mesmo sorriso que eu nunca consegui esquecer.

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