Lorena O sol já começava a se esconder entre os becos do Vidigal quando Lorena finalizava o dia, fechando as portas da birosca. O cheiro de café ainda pairava no ar, misturado ao som distante do funk que ecoava pelas vielas, e o cansaço pesava no corpo, mas os pensamentos continuavam presos no último encontro com Arcanjo. Desde aquele momento, o nome dele parecia ecoar por todo o morro: comentavam nas esquinas, sussurravam sobre o jeito como ele olhava para a menina da birosca. Lorena fingia que não escutava, porém o coração acelerava toda vez que o assunto surgia. — Tá mexendo com fogo, flor… — murmurou uma das vizinhas, num tom de aviso. Lorena apenas sorriu, preferindo o silêncio. Sabia que não havia buscado nada, mas também conhecia o peso que o nome dele carregava. Naquela noite,

