Arcanjo O sol m*l tinha rompido por trás dos prédios lá embaixo e o Vidigal já estava desperto, pulsando como um coração inquieto. O morro nunca acordava devagar; ele despertava sacudido. Carros subiam ofegantes, motos cortavam o vento em zigue-zague, ônibus gemiam nas curvas estreitas. Portas de ferro subiam com barulho, mercado abrindo, padaria cheirando a pão quente, gente gritando preço de fruta no improviso da feira, crianças correndo de chinelo e soltando pipa, porque férias são caos e alegria misturados. Mais acima, no alto, era outro nível, outra lei, outra atmosfera. Ali o silêncio tinha peso: não era ausência de movimento, era respeito. Homens armados passavam discretos, olhos atentos, conversas baixas, rádios chiando, olhares rápidos se cruzando. Um passarinho cantava, mas at

