Lorena Uma semana depois, o Vidigal respirava. Não era paz de verdade — era aquela calmaria mentirosa, fina como vidro trincado, que só quem vive no morro reconhece. O silêncio vinha carregado de aviso. Todo mundo sabia: podia durar dias, podia acabar em minutos. Eu voltei pros treinos. Não por vaidade. Por sobrevivência. O meu corpo já não era o mesmo. Os braços mais definidos, as pernas duras como concreto, a respiração controlada. A antiga Lorena — a flor do morro — ainda existia, mas agora tinha espinhos afiados. Muitos. Eu suava, doía, queimava por dentro, mas não parava. Cada gota era medo virando força. No stand improvisado atrás da laje, Arcanjo observava em silêncio. Braços cruzados, olhar atento, postura de quem nasceu pra guerra. Cada tiro que eu disparava cortava o ar com

