Lorena A manhã caiu pesada no Vidigal. Não era uma daquelas manhãs quentes e barulhentas, cheias de música e risadas, mas sim estranha, abafada, como se o morro inteiro prendesse a respiração sem saber por quê. Lorena desceu a viela com o corpo cansado e a cabeça cheia; a noite tinha sido longa, repleta de café, pão, conversa alheia e olhares curiosos demais. Desde a festa, ela sentia algo diferente no ar, uma sensação incômoda de estar sendo observada, como se cada passo estivesse sendo contado. Quando chegou em frente à birosca, parou por um instante. A porta estava fechada como sempre, mas alguma coisa ali não parecia certa. Tentou afastar o pressentimento. — Deve ser coisa da minha cabeça… — murmurou, tentando se convencer. Girou a chave, entrou e o cheiro veio primeiro: forte, es

