Lorena O barulho dos tiros vinha pesado, seco, sem aviso. Não era longe. Era dentro. Dentro do morro, rasgando a tarde que até segundos atrás era riso, samba e cerveja gelada. Minha mãe parou de dançar na mesma hora. O sorriso morreu no rosto dela como se alguém tivesse puxado o chão. Samurai já estava sério, corpo tenso, olhar de quem já conhecia aquele som melhor do que qualquer música. Netuno nem precisou ouvir duas vezes: largou a lata, puxou o rádio e falou curto, grosso. — Confirma o setor. Agora. Arcanjo não gritou. Não precisou. A presença dele já mandava mais que qualquer ordem berrada. Pegou Lore pela mão, firme, e olhou pra mim e pra minha mãe. — Pra dentro. Cofre. Agora. Eu senti o medo bater no peito como um soco, mas minhas pernas obedeceram. Não pensei. Não chorei. Só

