Arcanjo O celular despertou exatamente às quatro em ponto. Aquele alarme seco, direto, que nunca falha. Eu levantei no automático, mas quando olhei pro lado… minha princesa não se mexeu. Encolhida, respiração curta, o rosto contraído. — Amor, já tá na hora — falei baixo, passando a mão no cabelo dela. Ela abriu os olhos com dificuldade. — Amor… hoje eu não aguento. Tô morrendo de cólica. Na mesma hora o treino perdeu a importância. — Vamos no posto, vida. Você toma alguma coisa lá. Ela balançou a cabeça devagar. — Não… só preciso do meu remédio. Acabou. — Qual remédio? — perguntei já levantando. Ela falou o nome, e eu nem esperei mais nada. Saí do quarto, peguei o celular e chamei o Cenoura. — Cenoura, vai agora na farmácia e compra isso aqui. Vai rápido. Minha mulher não tá bem

