Capítulo 27

2020 Words

Arcanjo Eu já estava de saco cheio daquela cama dura, do cheiro de álcool, do apito constante das máquinas. Eu, que sempre fui dono do meu próprio passo, agora preso por lençol e pelo olhar atento da enfermeira. Se eu passasse mais um dia ali, enlouqueceria de verdade. O corpo coçava, implorando para se mover, e a mente estava pronta para sair andando, nem que fosse arrancando os fios com as próprias mãos. Então decidi: eu ia levantar. Primeiro, virei de lado. O pulmão ardendo, o ponto repuxando, tudo girando. Segurei na grade da cama e puxei o corpo devagar. Parecia que tinham enfiado fogo dentro de mim, mas continuei. Coloquei um pé no chão, depois o outro. O chão gelado queimava, a cabeça girava, mas o mundo balançou — e eu permaneci de pé. Ia dar o primeiro passo quando a porta se a

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