A Caixa Preta O Vidigal estava em alerta máximo. Varreduras três vezes ao dia, revista em todo mundo.Entrada e saída controladas como fronteira em guerra.Arcanjo não piscava. Às vezes nem descia pra casa. Almoçava na boca mesmo, no meio do concreto, do rádio chiando e das ordens secas. Quando não dava, Lorena mandava o almoço. Marmitas fechadas, lacradas, levadas por gente de confiança. A dele. A de Netuno. A de Samurai. A de Tocha. O morro tinha virado um campo minado. Final de tarde, céu pesado, aquele laranja sujo anunciando que a noite vinha carregada. Arcanjo chegou em casa em silêncio. Não falou muito. Só subiu, largou a arma na cabeceira e foi direto pro banho. A água caía forte, quente, batendo nas costas marcadas de bala e guerra. Lorena estava na cozinha, mexendo uma pa

