Capítulo 24

1869 Words

Netuno O cheiro de pólvora ainda impregnava o ar. O morro parecia respirar ofegante, como se tivesse levado golpes e continuasse de pé por puro orgulho. Fumaça subia de cantos diferentes, pedaços de caveirão ainda ardendo, restos de concreto espalhados; um silêncio estranho se misturava a gemidos, rádios chiando e passos apressados. Netuno corria. Não era uma corrida comum. Era disparo, desespero e fúria juntos. Ele sabia que algo estava errado; o peito denunciava. O rádio preso à gola chiava com vozes cruzadas: — Chefe caiu! — Repete, p***a! — O Arcanjo caiu! Netuno sentiu o mundo afundar, mas não parou. Subiu escadarias, pulou corpos, ignorou sangue. A mão suava na arma, o maxilar travado. O morro podia desabar, mas ele não perderia o amigo. Não ele. Não hoje. — Ele tá onde? — ru

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