Capítulo 22

1922 Words

Arcanjo Era domingo no Vidigal, e o sol parecia um castigo — um pra cada um, como o povo dizia. As vielas brilhavam, as lajes fumegavam, o asfalto ardia. Metade do morro desceu para a praia; a outra metade se virava como podia: a caixa d’água virava piscina, a mangueira se transformava em cachoeira improvisada, crianças corriam, o som estourava, a carne assava na brasa, o cheiro de gordura queimava e a risada alta se espalhava. A Brahma gelada suava na mão de todo mundo, e, por alguns instantes, parecia haver paz. Mas naquele lugar, paz sempre vinha com prazo curto. Os fogos cortaram o céu do nada. Primeiro um, depois outro, em seguida uma sequência nervosa, urgente, daquelas que fazem o coração parar antes do corpo se mover. O céu azul se transformou em ameaça. Quem conhece o morro sabe

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