Arcanjo O meu celular vibrou em cima da mesa de vidro. Uma vez. Depois outra. Insistente demais pra ser coincidência. Lorena percebeu na hora. O sorriso dela morreu antes mesmo dele pegar o aparelho. Arcanjo olhou o nome no visor e o maxilar travou. — É do morro — disse baixo, já atendendo e se afastando alguns passos. — Fala. Do outro lado, a voz vinha abafada, mas apressada. Arcanjo não interrompia. Só ouvia. O corpo inteiro ficando duro, a mão fechando em volta do celular. Lorena observava de longe. Já conhecia aquele olhar. Era o mesmo que ele fazia antes de decisões grandes… e perigosas. — Não — ele respondeu firme. — Eu avisei. Hoje quem resolve são vocês. Silêncio. Ele respirou fundo. — Se passar disso, aí sim me liga. Até lá, segura. Não encosta em ninguém sem prova.

