Arcanjo O amanhecer chegou devagar, quase com medo de entrar naquela casa achei que aquela noite não iria acabar. A luz invadiu o quarto aos poucos, passando pela fresta da cortina, e bateu direto no vazio do outro lado da cama. O travesseiro dela não estava ali. Aquilo ainda doía mais do que qualquer ponto, mais do que a cicatriz que eu carregava no corpo. Eu não tinha pregado o olho a noite toda fiquei olhando a p***a do teto branco. A casa que sempre foi viva, barulhenta, agora parecia grande demais. Respirei fundo, levando a mão ao peito. Não era dor física. Era pior, era a sensação de ter feito merda daquelas que não dá pra consertar com dinheiro, arma ou ordem. Levantei devagar, respeitando o corpo ainda em recuperação. Cada passo até o banheiro parecia mais pesado do que deveria

