Camila A cozinha ainda tinha cheiro de café passado na hora. Eu tava sentada à mesa com Dona Rosa, tentando parecer normal, mas por dentro meu peito já tava meio apertado. Mãe sente coisa antes da gente falar, sempre foi assim. Ela mexia o açúcar na xícara com calma demais. Aquela calma que antecede bomba. — Camila… — ela começou, sem me olhar direto — preciso te perguntar uma coisa. Levantei o olhar na hora. Meu estômago revirou. — O que foi, mãe? Ela pousou a colher devagar, respirou fundo e então falou, do jeito mais direto possível: — O Júlio veio te procurar no teu trabalho, não veio? Foi como se alguém tivesse puxado o chão debaixo dos meus pés. — O quê? — levantei rápido demais, a cadeira arrastou no chão fazendo barulho. — Que isso agora, mãe? Fui direto pra pia, peguei u

