Lorena Eu senti alguma coisa estourar dentro de mim no segundo em que meus olhos reconheceram aquelas fotos. Não foi medo primeiro. Foi raiva. Uma raiva quente, crua, indomável, que subiu do estômago direto pra garganta e queimou tudo no caminho. Meu coração começou a bater tão forte que parecia querer rasgar meu peito, e o ar ficou pesado, difícil de puxar, como se aquela casa tivesse encolhido de repente. — Não… não… — eu repetia, sem perceber, enquanto minhas mãos tremiam. Fotos minhas. Muitas. Ângulos diferentes. Dias diferentes. Momentos que eu jurava serem só meus. A última então… aquela foi a que me quebrou de vez. Eu na janela do nosso quarto. De hoje. Dentro da minha casa. No lugar onde eu devia estar segura. Foi ali que a fúria tomou forma. — ISSO NÃO É POSSÍVEL! — minha voz

