Capítulo 31

1323 Words

ARCANJO Nossa, como é bom estar na minha casa. Respirar esse ar daqui, sem cheiro de álcool e éter, sem aquele barulho de máquina apitando, sem fio me puxando pra todo lado. Hospital é prisão branca. Aqui não — aqui é meu território, meu quarto, meu teto, minha guerra, minhas regras e o melhor de tudo: eu não tô sozinho. Eu tô com ela como a minha mulher com a minha flor. Do jeito que eu sempre imaginei e nunca tive coragem de admitir nem pra mim mesmo. Ela anda pela casa como se já fosse dela e é. Coloca ordem, arruma as coisas, comenta, reclama, cuida de mim como se eu fosse o maior problema e, ao mesmo tempo, a maior preciosidade. E eu gosto disso. Gosto demais. Ontem ela foi braba — braba de verdade. A enfermeira entrou se achando, toda cheia de pose, achando que ia botar a mão e

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